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IPCA-15 marca 0,99 % em fevereiro, maior variação desde 2016, aponta IBGE

IPCA-15 marca 0,99 % em fevereiro, maior variação desde 2016, aponta IBGE

Redação EuQueroInvestir

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23 Fev 2022 às 12:29 · Última atualização: 23 Fev 2022 · 5 min leitura

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23 Fev 2022 às 12:29 · 5 min leitura
Última atualização: 23 Fev 2022

O IPCA-15 marcou 0,99 % em fevereiro, maior variação desde 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 e em fevereiro deste ano ele ficou 0,41 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em janeiro (0,58%).

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 1,58% e, em 12 meses, de 10,76%, acima dos 10,20% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2021, a taxa foi de 0,48%.

IPCA-15: variações positivas

Ainda de acordo com o IBGE, houve variações positivas em oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados.

A exceção foi Saúde e cuidados pessoais, cujos preços recuaram 0,02%, após a alta de 0,93% verificada em janeiro.

A maior variação (5,64%) e o maior impacto (0,32 p.p.) vieram do grupo Educação. Na sequência, vieram Alimentação e bebidas (1,20% e 0,25 p.p.), que acelerou na comparação com o mês anterior (0,97%), e Transportes, que subiu 0,87% após queda de 0,41% em janeiro e contribuiu com 0,19 p.p. em fevereiro.

Os demais grupos ficaram entre o 0,15% de Habitação e o 1,94% de Artigos de residência.

Grupos

Conforme o levantamento, no grupo Alimentação e bebidas (1,20%) a alimentação no domicílio passou de 1,03% em janeiro para 1,49% em fevereiro. Os maiores impactos vieram da cenoura (49,31%), da batata-inglesa (20,15%), do café moído (2,71%), das frutas (1,75%) e das carnes (1,11%).

Por outro lado, houve queda nos preços do frango inteiro (-1,97%), arroz (-1,60%) e do frango em pedaços (-1,31%), cujos preços já haviam recuado no mês anterior (-0,48%, -2,99% e -0,25%, respectivamente).

Em Educação (5,64%), a maior contribuição veio de cursos regulares (6,69%), com os reajustes praticados no início do ano letivo. As maiores variações vieram do ensino fundamental (8,03%), pré-escola (7,55%), ensino médio (7,46%), creche (6,47%) e ensino superior (5,90%). Curso técnico e pós-graduação subiram, respectivamente, 4,40% e 2,93%.

Já a alimentação fora do domicílio (0,45%) desacelerou em relação a janeiro (0,81%). Tanto a refeição (0,57%) como o lanche (0,09%) registraram resultado inferior ao verificado no mês anterior (0,63% e 1,25%, respectivamente).

Transportes e Habitação

O grupo dos Transportes subiu 0,87% em relação ao mês anterior, principalmente por conta das altas dos veículos próprios (2,01%): automóveis novos (2,64%), motocicletas (2,19%) e automóveis usados (2,10%).

Por sua vez, os combustíveis registraram estabilidade em fevereiro (0,00%): enquanto o óleo diesel (3,78%) e a gasolina (0,15%) subiram, etanol (-1,98%) e gás veicular (-0,36%) registraram queda.

Ainda em Transportes, a variação positiva do subitem táxi (1,99%) decorre do reajuste de 9,75% nas tarifas no Rio de Janeiro (8,72%), válido desde 11 de janeiro. Em ônibus urbano (0,38%), houve reajuste médio de 8,55% em Fortaleza (8,26%), a partir de 15 de janeiro.

O grupo Habitação (0,15%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,62%), principalmente por conta da energia elétrica (-0,82% e -0,04 p.p.), cuja variação em janeiro havia sido de 0,03%. Desde setembro, permanece em vigor a bandeira Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

As variações das áreas foram desde -7,05% em Porto Alegre, onde houve redução de PIS/COFINS e de ICMS, até 1,39% em Goiânia, onde houve aumento de PIS/COFINS e da contribuição de iluminação pública.

Ainda em Habitação, destacam-se as altas do aluguel residencial (1,00%) e do condomínio (0,87%). A taxa de água e esgoto (0,33%) também registrou alta em fevereiro, consequência dos reajustes de 6,71% em Fortaleza (3,01%), a partir de 30 de janeiro e de 8,98% em Goiânia (3,39%), a partir de 1º de fevereiro.

Outros itens

Nos Artigos de residência (1,94%), os destaques foram os eletrodomésticos e equipamentos (3,46%) e os itens de mobiliário (2,45%), cujos preços subiram mais que no mês anterior (2,26% e 2,04%, respectivamente). Ambos contribuíram conjuntamente com 0,06 p.p. no IPCA-15 de fevereiro.

O recuo em Saúde e cuidados pessoais (-0,02%) é consequência, principalmente, da queda do plano de saúde (-0,69%) e nos itens de higiene pessoal, cujos preços caíram 0,16% após a alta de 3,79% observada no IPCA-15 de janeiro. No lado das altas, cabe destacar o resultado dos produtos farmacêuticos (0,65%).

Em relação aos índices regionais, à exceção de Porto Alegre (-0,11%), todas as áreas pesquisadas tiveram alta em fevereiro. O maior resultado ocorreu na região metropolitana de São Paulo (1,20%), influenciado pelas altas dos cursos regulares (6,39%) e dos automóveis novos (2,24%). Na região metropolitana de Porto Alegre (-0,11%), o resultado foi puxado pela energia elétrica (-7,05%) e pela gasolina (-4,89%).

E para frente?

O BTG Pactual (BPAC11) destacou em comentário encaminhado ao mercado que para os próximos meses, a despeito do que se espera em relação à dissipação de alguns choques que provocaram impactos relevantes sobre a inflação no segundo semestre de 2021, o balanço de riscos segue desafiador e incerto.

“Ainda que o Real tenha apresentado uma relevante valorização no último mês, a manutenção dos preços das commodities em patamares elevados, impactados pelo cenário climático adverso e tensões geopolíticas, devem seguir impactando os preços dos Alimentos, dos Combustíveis e dos Bens Industriais”, destacou.

E disse mais: “por outro lado, possíveis reduções tributárias que podem ser aprovadas no Congresso devem ter impacto baixista sobre a inflação. Entretanto, ressaltamos que, dada a indefinição de quais medidas podem ser adotadas, por hora, não incluímos este fator em nosso cenário base.”

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