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Investimento no Exterior
Internacionalização do patrimônio: saia da caverna!

Internacionalização do patrimônio: saia da caverna!

A próxima etapa do desenvolvimento do investidor brasileiro é construir parte de seu patrimônio em ativos no exterior. Entenda.

Olá, Investidor Inteligente! No decorrer de nossas vidas, por muito tempo, passamos dentro de nossa própria caverna. Trata-se de um espaço mental único, individual e seguro. É uma zona de alto conforto, baixo risco, baixo aprendizado e baixo retorno.

Trazendo para o mercado financeiro, voltemos ao ano de 2008, ano em que comecei a trabalhar como “operador de Bolsa de Valores”. Naquela longínqua época, o investidor que decidisse inovar em seus investimentos e recorresse a uma corretora de valores teria um único produto a sua disposição: ações.

Naqueles anos, tendo como pano de fundo a crise do Subprime Americano, o mercado de ações era tido como um mercado de alto risco, destinado a grandes especuladores. Operar por meio de uma corretora era coisa ou de maluco, ou de caras muito ricos.

Observe o gráfico abaixo, onde apresentamos o número de investidores da bolsa de valores (Bovespa) durante os anos:

gráfico saia da caverna, internacionalização do patrimônio
Fonte: oespecialista.com.br

De 2007 a 2017 o número permaneceu praticamente o mesmo: cerca de 500 mil investidores.

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Mas, algo mudou nos últimos 5 anos; e não foi somente o número de investidores na bolsa, mas também, o número de investidores de corretoras de valores (uma coisa veio com a outra).

A mudança começou por volta de 2012; a legislação foi alterada e as corretoras passaram a oferecer a seus clientes produtos mais conservadores: CDBs, títulos do tesouro, fundos de investimentos, previdência. Pouco a pouco, o investidor que ainda estava investindo através de um grande banco, começou a comparar os investimentos em sua volta. Ele notou que as corretoras, além de oferecerem produtos diferentes, mais rentáveis e mais baratos, ofereciam também um atendimento mais ágil e informado.

Do CDB ou fundo da Caixa, do BB, Bradesco, Itaú, Santander etc. passamos a investir em CDBs, LCIs, LCAs de bancos menores, dentro do FGC e muito mais rentáveis. Depois, aprendemos o que são fundos de investimento e acessamos gestores diversos e conhecidos do mercado, como a Verde Asset, ou a Kinea (primeiro contato com a volatilidade).

Depois, ou ao mesmo tempo, aprendemos o que são fundos imobiliários e passamos a gostar daquela renda mensal “pingando” em nossa conta. Aprendemos a investir em ações e provavelmente não gostamos muito (porque no geral, o rendimento desses últimos anos não foi atrativo).

Hoje, acessamos CRIs, CRAs, fundos fechados, debêntures incentivadas; desfrutamos de toda a tecnologia, rentabilidade e segurança dos produtos financeiros criados nos últimos anos e desse incrível desenvolvimento do mercado de capitais brasileiros.

Aposto que no seu caso, caro Investidor Inteligente, ocorreu algo parecido. E posso dizer que esse movimento só foi possível porque você deixou a sua caverna…

Atingimos o topo como investidores!!! Certo? Errado…

O movimento de saída dos grandes bancos em direção às corretoras foi algo muito importante, necessário e benéfico para a maioria dos investidores.

Mas, essa foi apenas uma etapa. Existem outras.

Internacionalização do patrimônio: próxima etapa

A próxima etapa está se desenvolvendo “embaixo do nosso nariz”, em uma revolução tão grande (ou maior) do que a descrita anteriormente: a internacionalização do patrimônio! Em outras palavras, a próxima etapa do desenvolvimento do investidor brasileiro é construir parte de seu patrimônio em ativos no exterior.

E, por que ele deveria fazer isso? Por acesso, segurança e retorno.

O Brasil representa cerca de 1% dos investimentos globais. Se você investir 100% do seu capital no Brasil, significa que você está ignorando 99% de todas as oportunidades que existem. Olhe para fora, há um infinito a ser descoberto, com oportunidades talvez melhores do que as do Brasil.

Inclusive você já deve ter ouvido falar bastante desse assunto nos últimos anos, mas pode ter preferido permanecer em sua caverna.

Vamos a alguns números para instigá-lo a mudar, ou a aumentar seu investimento no exterior.

Primeiramente, há um viés do investidor do mundo inteiro preferir investir no seu próprio país do que no exterior. Veja o gráfico abaixo:

Fonte: Vanguard Research / The global case for strategic asset allocation and an examination of home bias (Feb 2017) gráfico internacionalização do patrimônio
Fonte: Vanguard Research / The global case for strategic asset allocation and an examination of home bias (Feb 2017)

O peso do mercado norte americano no mundo é de 50,9%; e os americanos investem 79,1% de suas economias no seu próprio país. Já o Canadá pesa 3,4% no mercado mundial e seus investidores investem 59% em ativos canadenses.

A Inglaterra pesa 7,2% nos investimentos mundiais, e 26,3% da sua riqueza está investida com os próprios ingleses. Austrália, 2,4% contra 66,5% e Japão 7,2% contra 55,2%.

Você sabe quais são os números no caso brasileiro?

Fonte: Vanguard Research / The global case for strategic asset allocation and an examination of home bias (Feb 2017)
Fonte: https://howmuch.net/articles/all-stocks-capitalization-around-the-world acessado em Jan 26, 2022

O mercado brasileiro pesa 1,3% em todos os investimentos mundiais, e o investidor do Brasil investe 99% dos seus recursos no seu próprio país.

Investidor Inteligente, eu disse 99% do dinheiro do brasileiro está investido no Brasil!

Ou seja, a gente “mal e mal” começou a engatinhar, quando o assunto é internacionalização do capital. Temos muito a crescer!

E isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Com o passar do tempo, os investidores entenderão que há uma descorrelação natural e matemática do exterior com o Brasil: se o real se valoriza, é porque o dólar ficou mais barato; se o real se desvaloriza, é porque o dólar ficou mais caro.

Falando de outra forma, quando os investimentos aqui no Brasil vão muito mal, há grandes chances de irem muito bem no exterior. Isso traz MENOS volatilidade no seu portfólio como um todo, e tende a POTENCIALIZAR o seu retorno.

Quando vem uma crise, é bem provável que a nossa bolsa caia e o dólar dispare. Veja a tabela abaixo:

internacionalização do patrimônio

Veja como as fortes quedas por aqui, resultaram em disparada do dólar. De 2014 a 2016, por exemplo, nas grandes movimentações que culminaram no impeachment da Dilma, enquanto as ações caíram 34,1%, a dólar disparou 78,8% em relação ao real. Mesmo que você tivesse dólares embaixo do colchão, teria ganho muito dinheiro. Pense se tivesse investido em ativos que geram renda em dólares!

Outro exemplo: o Ibovespa está estagnado há 4 anos (desde a pandemia), enquanto lá fora as bolsas batem recorde atrás de recorde, puxadas principalmente pelas empresas de tecnologia (e a onda de Inteligência Artificial).

internacionalização do patrimônio

Não estou dizendo que as ações por aqui irão cair e que lá fora irão subir. Talvez ocorra justamente o contrário.

O que quero dizer é que não sabemos se o Brasil é o país do futuro; e justamente por não sabermos, talvez não valha à pena apostarmos todas as fichas nisso.

Por Denys Wiese, estrategista da EQI Investimentos

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