A Ford (F; FDMO34) registrou prejuízo líquido de US$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2026, ante resultado negativo de US$ 36 milhões no mesmo período do ano anterior.
A receita alcançou US$ 48,3 bilhões, queda de 4% na comparação anual. As vendas no atacado diminuíram 12%, para 1,039 milhão de veículos.
Segundo a montadora, o faturamento foi pressionado pelo menor volume, pela descontinuação de produtos, por restrições no fornecimento de alumínio e pelo ajuste da produção de veículos elétricos de primeira geração à demanda dos consumidores.
Em contrapartida, o Ebit ajustado cresceu 19%, de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,5 bilhões. A margem Ebit subiu de 4,3% para 5,2%, enquanto o lucro ajustado por ação passou de US$ 0,37 para US$ 0,42.
“Entregamos outro trimestre forte e elevamos nosso guidance, mas a história mais importante é a evidência de que a Ford está mais lucrativa e disciplinada”, afirmou Jim Farley, presidente e CEO da companhia, no press release de resultados.
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Baixa contábil pressiona resultado da Ford
O prejuízo líquido foi influenciado por US$ 4,2 bilhões em itens especiais antes dos impostos.
Desse montante, US$ 3,6 bilhões correspondem a uma baixa majoritariamente sem efeito sobre o caixa relacionada à saída da joint venture BlueOval SK, voltada à produção de baterias. Outros US$ 500 milhões estão ligados ao cancelamento de programas de veículos elétricos anunciado em dezembro de 2025.
Ao retirar os efeitos considerados extraordinários, a Ford apresentou melhora no resultado operacional. A companhia também encerrou o trimestre com fluxo de caixa operacional de US$ 4,3 bilhões e fluxo de caixa livre ajustado de US$ 2,1 bilhões.
No fim de junho, a montadora possuía US$ 22,3 bilhões em caixa e liquidez total de US$ 43,4 bilhões.
Ford Blue cresce, mas Ford Pro perde força
A Ford Blue, divisão que reúne veículos a combustão e híbridos, registrou receita de US$ 26,1 bilhões, crescimento anual de 1%.
O Ebit do segmento aumentou de US$ 661 milhões para US$ 1,1 bilhão, enquanto a margem passou de 2,6% para 4,4%. Segundo a empresa, picapes, veículos destinados ao uso fora de estrada e híbridos continuaram sustentando o poder de precificação.
Na Ford Pro, voltada a clientes comerciais, a receita caiu 5%, para US$ 17,8 bilhões. O Ebit recuou US$ 600 milhões, para US$ 1,7 bilhão, com a margem diminuindo de 12,3% para 9,7%.
A companhia atribuiu parte da queda às restrições temporárias no fornecimento de alumínio pela Novelis.
A Ford Model e, divisão de veículos elétricos, apresentou receita de US$ 1 bilhão, redução de 56%. O prejuízo Ebit diminuiu de US$ 1,3 bilhão para US$ 919 milhões, marcando o terceiro trimestre consecutivo de melhora anual.
Já a Ford Credit registrou lucro antes dos impostos de US$ 757 milhões, aumento de US$ 112 milhões em relação ao 2T25.
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Ford eleva projeções para 2026
Após o desempenho do primeiro semestre, a Ford elevou sua projeção de Ebit ajustado para 2026. A companhia passou a esperar entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões, acima da faixa anterior de US$ 8,5 bilhões a US$ 10,5 bilhões.
A estimativa para o fluxo de caixa livre ajustado subiu de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões para uma faixa entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões.
Os investimentos devem permanecer entre US$ 9,5 bilhões e US$ 10,5 bilhões. Para a Ford Model e, a expectativa agora é de prejuízo Ebit de aproximadamente US$ 4 bilhões, ante a projeção anterior de perda entre US$ 4 bilhões e US$ 4,5 bilhões.
“Não estamos apenas executando o plano; estamos construindo uma companhia capaz de atravessar diferentes cenários de incerteza”, afirmou a diretora financeira Sherry House.
A Ford também declarou dividendo trimestral de US$ 0,15 por ação, com pagamento previsto para 1º de setembro aos acionistas registrados em 11 de agosto.






