A temporada de ski segue em movimento, mas não exatamente na direção que o imaginário popular costuma sugerir, agora é luxo. Dados do Bank of America Institute mostram que, nos Estados Unidos, o gasto médio com esportes de inverno voltou a crescer em 2025. Ao mesmo tempo, o número de domicílios que praticam a atividade caiu mais de 11% em relação ao ano anterior .
O resultado é direto ao luxo: o ski está se tornando um esporte para menos pessoas, e para pessoas mais ricas.
Segundo o relatório, o aumento de 1,6% no gasto por domicílio indica uma concentração entre praticantes mais comprometidos e com maior poder aquisitivo. Em outras palavras, quem continua indo às pistas gasta mais com passes, hospedagem, equipamentos e alimentação. Quem sai do jogo, aparentemente, não consegue mais pagar a conta.
Esse movimento reforça uma tendência antiga, agora escancarada pelos números. O ski deixa de ser uma prática esportiva sazonal e se consolida como uma experiência de consumo premium, fortemente associada a turismo de alto padrão. Menos volume, mais exclusividade.
América do Sul importa o ski como produto de luxo
Na América do Sul, a lógica é semelhante, ainda que com outra roupagem. Destinos como Bariloche e Valle Nevado vendem a experiência “internacional” do ski para latino-americanos de alta renda, muitas vezes precificada em dólar.
O discurso é o do glamour europeu ou norte-americano transplantado para os Andes: estações modernas, hotéis de alto padrão, pacotes completos e pouca margem para improviso ou acesso popular. Para grande parte do público regional, o ski deixa de ser esporte e passa a ser símbolo de status, viagem aspiracional e distinção social.
Nos Estados Unidos ou na América do Sul, a equação parece a mesma. O ski não está em crise. Está apenas se afastando da classe média e se firmando, cada vez mais, como um privilégio de poucos.






