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Rolex, TAG Heuer e… Acto? Conheça a marca gaúcha que entrou na F1 no pulso de Gabriel Bortoleto

Rolex, TAG Heuer e… Acto? Conheça a marca gaúcha que entrou na F1 no pulso de Gabriel Bortoleto

A ACTO, fundada em Porto Alegre em 2020, vira parceira do único brasileiro do grid e entra em uma vitrine dominada há décadas por Rolex, TAG Heuer e Richard Mille

O novo relógio na Fórmula 1 tem endereço brasileiro. Em setembro, Gabriel Bortoleto foi anunciado como embaixador da Acto, marca independente fundada em 2020 por Thiago Chiká, que desenvolve relógios de design próprio e edições limitadas. A parceria coloca uma relojoaria nacional no ambiente da Fórmula 1, onde o acessório no pulso do piloto é assinatura, contrato e vitrine global.

Para entender o peso dessa estreia, vale olhar para quem chegou antes.

Poucas marcas conhecem tanto o paddock quanto a TAG Heuer. Ela foi a primeira marca de luxo a estampar o logotipo em um carro de F1, em 1969. A ligação com a Ferrari veio em 1971, quando a equipe italiana escolheu a Heuer para cronometrar sua pista de testes em Fiorano. Mas a marca ficou mais conhecida pela parceria de 30 anos com a McLaren, que passou por pilotos como Ayrton Senna, Mika Häkkinen e Lewis Hamilton, iniciada ainda nos anos 1980. A marca também foi cronometrista oficial da categoria de 1992 a 2003 e fechou parceria com a Red Bull Racing em 2016.

A Rolex escreveu um capítulo mais ligado às pessoas. Em 28 de abril de 1968, o então CEO André Heiniger fechou com Jackie Stewart, no mesmo dia em que assinou o golfista Arnold Palmer e o esquiador Jean-Claude Killy. Stewart levou o compromisso tão a sério que mandou encurtar a manga esquerda das camisas para que o relógio ficasse sempre visível. Em 2013, a Rolex se tornou parceira oficial do campeonato.

Bortoleto posa com relógio da Acto no pulso. Foto: Gabriel Bortoleto/Redes sociais

A troca de guarda: TAG Heuer volta e Rolex sai

O ciclo virou em janeiro de 2025. A F1 confirmou a volta da TAG Heuer como cronometrista oficial, no lugar da Rolex, dentro de um acordo de dez anos com o grupo LVMH, que coincidiu com os 75 anos do campeonato da categoria. O contrato é de aproximadmente US$ 100 milhões por ano e garante presença nas 24 corridas do calendário.

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Mas briga pelo pulso dos pilotos vai muito além do cronômetro oficial. Oito das onze equipes têm um parceiro de relógios, e a Richard Mille aparece tanto na Ferrari quanto na McLaren, algo que nenhuma outra relojoaria faz. A IWC está com a Mercedes desde 2013. Breitling chegou à Aston Martin, e a Girard-Perregaux, à Williams.

O efeito vitrine alcança também os pilotos fora do contrato de equipe. Depois de se mudar para a Ferrari em 2025, Lewis Hamilton passou a usar Richard Mille com frequência. No GP de Singapura deste ano, os relógios foram de um Swatch de US$ 400, no pulso de Sergio Pérez, a um Richard Mille estimado em cerca de US$ 430 mil.

Um detalhe favorece o piloto brasileiro. Segundo levantamento da Haute Time, Cadillac, Audi e Haas não listam parceiro oficial de relógios. Isso significa que a equipe de Bortoleto não prende o piloto a uma marca específica.

Acto: a relojoaria gaúcha por trás do relógio Bortoleto

A Acto não nasceu em Genebra. É uma marca de Porto Alegre que combina design autoral e movimentos japoneses Miyota, e já fez colaboração com o piloto Felipe Drugovich. A empresa diz que sua história foi construída peça por peça, sem atalhos. Entre os lançamentos recentes estão a linha AB01 e a collab A003T, com Erich Shibata, que já teve as vendas encerradas.

A trajetória do piloto explica por que ele virou garoto-propaganda de uma marca que quer crescer sem esquecer a origem. Antes da F1, Bortoleto venceu a F3 em 2023 e a F2 em 2024, ambas em sua temporada de estreia. Na primeira temporada na F1, marcou pontos em cinco corridas, somou 19 no ano e teve como melhor resultado o sexto lugar na Hungria. Em 2026, já pela Audi, marcou os primeiros pontos da montadora na categoria, com o nono lugar na Austrália.

Acto modelo A003T. Foto: Divulgação/redes sociais

Fora das pistas, a Acto entra em uma lista que já inclui Adidas, Audi e Mercado Livre (MELI34).

Para o piloto, a escolha passa por identidade. Bortoleto afirmou que sempre quis levar coisas do Brasil consigo pelo mundo e se identificou com a ideia de construir algo de altíssimo nível partindo daqui. O CEO da Acto fala na mesma linha: são trajetórias diferentes, mas unidas pela vontade de crescer sem deixar a origem para trás.

O plano vai além da foto de pulso. Acto e Bortoleto pretendem desenvolver produtos e experiências voltados aos fãs do piloto e aos clientes da empresa. A marca também quer ampliar sua internacionalização, com o piloto representando-a em todos os continentes.

A Fórmula 1 sempre foi um negócio de símbolos, e por mais de meio século esses símbolos vieram, via de regra, em caixas suíças. Uma relojoaria com apenas seis anos de vida não vai desbancar Rolex ou Richard Mille de uma hora para outra. Mas o relógio do Bortoleto mostra que a vitrine mais cobiçada do automobilismo agora tem espaço para uma marca do Hemisfério Sul, e que o Brasil pode aparecer ali com assinatura própria.

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