Com mais de 640 anos de história, a Antinori é a produtora por trás de rótulos como Tignanello, Solaia e Guado al Tasso. A casa italiana ganhou as manchetes dos jornais após o roubo de cerca de 30 mil garrafas, com prejuízo estimado em € 5 milhões. A empresa destaca que este foi o maior roubo de vinhos já registrado no setor na Itália.
Segundo a Antinori, o episódio ocorreu nas noites entre 2 e 4 de outubro, em Cortona, na Toscana.
De acordo com a reconstrução do caso, sete homens encapuzados desativaram os alarmes do depósito e usaram dois caminhões para levar as garrafas, que seriam exportadas. O roubo foi descoberto na segunda-feira (5) e está sob investigação da polícia.
Uma tradição de 26 gerações
A história vinícola da família Antinori remonta à Florença do século XIV. O marco adotado pela casa é 1385, quando Giovanni di Piero Antinori ingressou na Arte Fiorentina dei Vinattieri, corporação que reunia profissionais do comércio de vinhos da cidade. Esse vínculo atravessou os séculos, com o negócio administrado diretamente pela família ao longo de 26 gerações.
Uma das marcas dessa continuidade está no próprio patrimônio dos Antinori. Em 1506, Niccolò di Tommaso Antinori comprou o palácio renascentista que passou a levar o sobrenome da família, em Florença.
Há mais de 500 anos, o Palazzo Antinori permanece como residência familiar e também abrigou suas atividades empresariais. Desde 1957, o edifício recebe a Cantinetta Antinori, restaurante e bar de vinhos da casa.
Já em 1928, Niccolò Antinori, pai de Piero, criou o Villa Antinori, originalmente concebido como um Chianti Classico capaz de envelhecer e melhorar com o tempo. Hoje, a condução do negócio cabe à 26ª geração, representada pelas irmãs Albiera, Allegra e Alessia, filhas de Piero Antinori, que dão continuidade à tradição iniciada mais de seis séculos antes.
O papel da Antinori na história dos supertoscanos
Parte da fama da Antinori está ligada aos supertoscanos, vinhos que ajudaram a renovar a produção da Toscana nas décadas de 1960 e 1970. Na época, as regras do Chianti determinavam quais uvas poderiam entrar na mistura e exigiam a presença de variedades brancas nos tintos.
Alguns produtores passaram a experimentar outras fórmulas, incorporando uvas como Cabernet Sauvignon e Merlot ou elaborando vinhos apenas com Sangiovese. Essas escolhas os colocavam fora das exigências para usar a denominação Chianti.
Os primeiros rótulos desse movimento chegaram ao mercado classificados como vinhos de mesa, mas conquistaram reconhecimento internacional e prestígio entre críticos e consumidores. O Tignanello, da Antinori, tornou-se um dos símbolos dessa mudança: na safra de 1975, eliminou as uvas brancas e combinou Sangiovese com Cabernet Sauvignon.
Com isso, a expressão supertoscanos passou a identificar essa renovação do vinho toscano e permanece um termo informal, sem classificação legal própria.
Arquitetura e enoturismo na Toscana
Essa combinação de tradição e inovação também pode ser vista de perto por quem visita a Antinori.

Em Bargino, na Toscana, a unidade Antinori nel Chianti Classico, inaugurada em 2012, foi concebida para receber o público e aproximá-lo da produção de vinhos. Assinado pelo arquiteto Marco Casamonti, o edifício se integra à paisagem, com uma fachada que aparece como dois cortes horizontais no terreno. Uma escadaria em espiral conecta os três níveis da construção e se tornou uma das marcas de sua arquitetura.
O visitante pode conhecer as adegas e degustar rótulos da casa, além de explorar um acervo de arte ligado à trajetória da família e às tradições da Toscana. No alto do edifício, o restaurante Rinuccio 1180 oferece vista para as colinas da região, ampliando o passeio para além dos vinhos.
Em 2022, a unidade conquistou o primeiro lugar no World’s Best Vineyards, ranking internacional que reconhece destinos de enoturismo pela experiência oferecida ao público.

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Os vinhos da Antinori e seus preços no Brasil
Entre os rótulos mais conhecidos da Antinori estão Tignanello, Solaia e Guado al Tasso, que representam diferentes regiões e momentos da trajetória da produtora na Toscana. Os três são encontrados no mercado brasileiro, com preços que variam conforme a safra, o vendedor e as condições de pagamento.
Tignanello
Produzido na Tenuta Tignanello, em Chianti Classico, combina Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Recebeu esse nome na safra de 1971 e foi pioneiro no envelhecimento de Sangiovese em pequenas barricas de carvalho.
Segundo as notas de degustação da Antinori, a safra 2022 combina aromas de cereja e romã com notas florais e de baunilha. Na boca, a produtora descreve um vinho concentrado e fresco, com taninos macios e final prolongado.
No Brasil, a safra 2022 aparece por R$ 1.742 na Vinteria e R$ 1.976 na Vinhos Mundi. Na francesa 12bouteilles, uma garrafa da mesma safra custa € 145.

Solaia
Elaborado pela primeira vez em 1978, vem de um vinhedo de 20 hectares na mesma propriedade do Tignanello. Reúne Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Sangiovese e, segundo a produtora, é feito apenas em safras consideradas excepcionais.
Para a safra 2021, a Antinori descreve aromas de frutas escuras, como groselha, amora e ameixa, além de notas de cacau e alcaçuz. Na boca, destaca a textura sedosa e um final persistente com lembranças de chocolate amargo.
A safra 2021 é anunciada pela The Bog Store, no marketplace do Magalu, por R$ 4.798,80. Na Millésima italiana, o Solaia 2022 custa € 392 por garrafa. As referências são de safras diferentes.

Guado al Tasso
Sua primeira safra é de 1990. Produzido em Bolgheri, no litoral da Toscana, é elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc.
O rótulo pertence à categoria Bolgheri DOC Superiore. A sigla DOC indica uma denominação de origem controlada, com regras próprias de produção. Já a categoria Superiore exige envelhecimento mínimo de dois anos, dos quais pelo menos um em barricas de carvalho.
De acordo com a Antinori, a safra 2022 apresenta aromas florais e de frutas vermelhas, acompanhados de notas de tabaco e alcaçuz. Na boca, a produtora destaca a textura sedosa e o equilíbrio do vinho.
No Brasil, a safra 2022 aparece por R$ 1.892 na Vinteria.

Outros rótulos da Antinori
O portfólio inclui ainda o branco Cervaro della Sala, da Úmbria, feito com Chardonnay e uma pequena parcela de Grechetto, além de Brunello di Montalcino produzido na propriedade Pian delle Vigne.
Os preços foram consultados em 9 de outubro de 2026 e correspondem a garrafas de 750 ml, sem frete. São exemplos de ofertas, sujeitos às condições de cada vendedor e à disponibilidade das safras.





