O IBGE divulgou nesta terça-feira (12) que as vendas do varejo recuaram 0,2% em janeiro, na comparação com o mês de dezembro de 2020, na série com ajuste sazonal. O resultado foi um pouco melhor frente ao consenso do mercado, de -0,30%.
Já na comparação de janeiro com o mesmo mês do ano passado, as vendas do varejo caíram 0,30%. Esta é a primeira taxa negativa após sete meses consecutivos de altas.
No acumulado donos últimos 12 meses ficou em 1%, próximo ao de dezembro (1,2%). Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

Reprodução/IBGE
Das oito atividades investigadas, quatro tiveram taxas negativas frente a dezembro, influenciando o resultado de janeiro. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que formam o setor de maior peso do varejo, recuaram juntos 1,6%.
Outras quedas vieram de livros, jornais, revistas e papelaria (-26,5%). Também de tecidos, vestuário e calçados (-8,2%). E de móveis e eletrodomésticos (-5,9%). Já combustíveis e lubrificantes (-0,1%) ficaram estáveis.
Impactaram positivamente outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%). Ainda artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,6%). E equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%).
“Com o fim da primeira rodada do auxílio emergencial, a partir de outubro, a capacidade de consumo das famílias diminuiu. E isto teve impacto direto no comércio”, afirmou o responsável pela pesquisa Cristiano Santos.
Varejo ampliado
No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, veículos e materiais de construção, o volume de vendas caiu 2,1% em janeiro, frente a dezembro. E foi o segundo mês com resultado negativo seguido.
Veículos, motos, partes e peças (-3,6%) responderam pela maior parte do recuo.
Vendas recuam em 23 estados
O comércio varejista teve variações negativas em 23 das 27 unidades da federação em janeiro. O menor resultado veio do Amazonas, onde as vendas caíram 29,7%, mais que o triplo de outros estados, na comparação com dezembro de 2020.
Regionalmente, as outras maiores quedas do varejo ficaram com Rondônia (-9,1%), Ceará (-4,9%), Mato Grosso (-4,2%) e Santa Catarina (-4,1%).
Por outro lado, os únicos quatro estados que tiveram aumento nas vendas, em janeiro, foram Minas Gerais (8,3%), Tocantins (3,7%), Acre (1,1%) e Mato Grosso do Sul (0,8%).
Análise
Segundo Arthur Mota, da Exame Invest, os dados de janeiro trazem um “carrego estatístico” bastante negativo para os próximos meses; ou seja, considerando variação nula para fevereiro e março.
“O varejo deve contribuir negativamente para a economia no primeiro trimestre, com impacto relevante no cômputo do consumo das famílias e deve motivar revisão para baixo do PIB”, escreveu.
Para ele, esse enfraquecimento da atividade econômica prevista para o primeiro trimestre, eleva as apostas de um corte da Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião da semana que vem, “diminuindo as apostas marginais daqueles que enxergavam corte de 0,75 ponto porcentual”.
Entretanto, Mota ressalta que, “apesar do curto prazo nebuloso”, há uma visão positiva para o médio prazo, em especial no segundo semestre, com vacinas e os efeitos defasados do auxílio emergencial.
Assim, ressaltou, existem “boas oportunidades de alocação em bolsa para os próximos meses”.






