As vendas no varejo caíram 0,1% em novembro, vindo abaixo da projeção de alta de 0,30% do mercado.
Com este resultado, as vendas sobem 1,2% no ano e 1,3 em 12 meses.
Na comparação de novembro de 2019 com novembro de 2020, a alta do setor foi de 3,4%.
As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda em novembro vem após seis meses consecutivos de crescimento. Apesar da desaceleração, o setor se encontra 7,3% acima do patamar pré-pandemia.
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Reprodução/IBGE
Varejo: alimentos puxam queda
A queda no consumo de alimentos foi a principal responsável por frear a sequência de altas do setor.
Das oito atividades investigadas, cinco cresceram na comparação com o mês anterior. Porém, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que têm peso de cerca de 45% no índice geral, apresentaram retração.
De acordo com o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, as quedas de 2,2% em relação a outubro e de 1,7% em relação a novembro de 2019 no volume de vendas dessa atividade refletem a inflação.
“Se olharmos, por exemplo, para a receita das empresas dessa área [hipermercados], houve um declínio de 0,8%. E a diferença entre a receita e o volume de vendas demonstra um aumento de custos. Mas, além disso, é comum que o consumidor, quando tem uma queda de renda ou do seu poder de compra, passe a comprar menos produtos que não são essenciais e a optar por marcas mais baratas”, diz Santos.
Lojas de departamento têm alta nas vendas com reabertura
Já as atividades de outros artigos de uso pessoal e doméstico, em que pesam, principalmente, as lojas de departamento, e de artigos farmacêuticos, medicinais, ortopédicos e de perfumaria foram as únicas que apresentaram crescimento tanto em relação ao mês anterior quanto em relação a novembro de 2019.
“As lojas de departamento foram alguns dos comércios mais impactados pelas medidas de fechamento adotadas no início da pandemia. Assim, com a reabertura do comércio, essa atividade vem apresentando forte crescimento, registrando em novembro alta de 1,4% frente a outubro e 16,2% frente ao mesmo período de 2019”, afirma Santos.

Reprodução/IBGE
O pesquisador ressalta ainda a influência da Black Friday nesse período.
“A Black Friday impacta principalmente as atividades de outros artigos de uso pessoal, móveis e eletrodomésticos, além de equipamentos de escritório, informática e comunicação. Sendo que, nesse novembro, essas duas primeiras atividades tiveram um desempenho bem superior ao do ano anterior, ao contrário dos equipamentos de escritório e informática, que ficaram 9,9% abaixo do mesmo período de 2019. Esses resultados também refletem o fato de as pessoas estarem ficando mais em casa”, comenta Santos.






