Após o anúncio do corte de juros neste domingo (15) pelo Federal Reserve, as apostas se ampliam para a redução da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nesta semana.
A decisão do banco central americano acontece em meio às preocupações globais em relação aos impactos do coronavírus sobre a economia global.
Estão previstas para esta semana uma bateria de divulgação de resultados corporativos, com destaques para Braskem (BRKM3, BRKM5 e BRKM6), C&A Modas (CEAB3), Cyrela (CYRE3), Tenda (TEND3), Copel (CPLE3 e CPLE6) e Eztec (EZTC3).
Veja abaixo os destaques da semana:
Segunda-feira
Na segunda-feira, 16, o G7, que reúne as maiores economias do mundo, faz uma reunião extraordinária por teleconferência para discutir uma resposta à pandemia do coronavírus. A reunião foi confirmada via Twitter pelo presidente da França, Emmanuel Macron.
“Concordamos em organizar uma videoconferência extraordinária na segunda-feira sobre a Covid-19. Vamos coordenar os esforços de pesquisa para vacina e tratamento, e trabalhar uma resposta financeira e econômica”, disse ele.
No Brasil, tem divulgação do Boletim Focus, do Banco Central. Ele deve sinalizar uma alteração na expectativa do mercado quanto à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic.
Até o início da semana passada, a maioria das 100 instituições financeiras consultadas pelo Boletim previa a manutenção da taxa. No entanto, com a alta do dólar e as fortes quedas do Ibovespa, as expectativas podem mudar.
Tem ainda Balança Comercial semanal e balanços das empresas Eletropaulo (ELPL3), Log-In (LOGN3), Metal Leve (LEVE3) e Metalfrio (FRIO3).
Terça-feira
Na terça, 17, tem divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com a variação de preços da última quadrissemana.
Tem também balanços de Alliar (AALR3), Copel (CPLE3 e CPLE6), Eztec (EZTC3) e Profarma (PFRM3).
O Copom inicia seus dois dias de reunião, mas é na quarta que a notícia mais aguardada chega.
Quarta-feira
Na quarta, 18, será anunciada a decisão de política monetária do Brasil. Os analistas projetam um corte de, ao menos, 0,25 ponto percentual – a taxa, atualmente, é de 4,25% ao ano.
Com o avanço do coronavírus e a instabilidade do mercado financeiro, pode ser que o Comitê opte até mesmo por um corte de maior magnitude.
Antes da decisão extraordinária do Fed, deste domingo, estava programada a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que foi antecipada.
No corporativo, Biotoscana (GBIO33), Mills (MILS3), Rossi Residencial (RSID3) e Tecnisa (TCSA3) reportam resultados.
Quinta-feira
Na quinta-feira, 19, tem divulgação de dados de emprego nos EUA. No Brasil, balanços de BR Pharma (BPHA3), Bradespar (BRAP3 e BRAP4), Braskem (BRKM3, BRKM5 e BRKM6), C&A Modas (CEAB3), Cyrela (CYRE3), Equatorial (EQTL3), Liq (LIQO3), Lupatech (LUPA3) e Tenda (TEND3).
Sexta-feira
Na sexta, Portobello (PTBL3) reporta seus lucros.
Última semana foi de fortes emoções nos mercados
Na última quarta-feira, 11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o coronavírus já configura uma pandemia.
Na sequência, o preço do petróleo despencou depois que Arábia Saudita e Rússia não entraram em acordo sobre novos cortes de produção de barris, causando um racha na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A Arábia Saudita resolveu por si só baixar o valor do barril, dando início a uma guerra de preços.
Não bastasse o caos, Donald Trump anunciou uma restrição de voos da Europa para os Estados Unidos, levando os mercados europeus a baixas históricas. E, na sequência, anunciou estado de emergência nacional no país, o que libera até US$ 50 bilhões em recursos para ajudar na crise.
No Brasil, o Ibovespa precisou acionar por quatro vezes o circuit breaker, mecanismo ao qual se recorre sempre que a bolsa cai mais de 10% em relação ao pregão anterior.
No campo político, o domingo, 15, foi marcado por manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O presidente chegou a pedir para os manifestantes ficarem em casa devido ao surto de Covid-19. Mesmo assim, eles foram às ruas demonstrar insatisfação com Câmara dos Deputados, Senado e Supremo Tribunal Federal.
Sobrou até para o coronavírus, que foi chamado de fake news. Na opinião de alguns manifestantes, o vírus não passa de uma invenção para abalar governos e mercados.
No entanto, até Jair Bolsonaro, que sempre minimizou a pandemia, chamando-a de “fantasia da grande mídia”, teve que fazer teste para o vírus, depois que parte de sua equipe foi contaminada em evento nos Estados Unidos.
O resultado deu negativo, mas ele segue em quarentena e precisará de mais testes.