Na 239º reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (4), o governo fixou um novo patamar para a taxa básica de juros, a Selic. O valor passou de 4,25% ao ano para 5,25%. Um aumento expressivo de 1 ponto percentual. Mas o que isso quer dizer na verdade e o que representa para o mercado investidor do país?
Para responder a esse questionamento, este artigo aborda com mais detalhes o tema. Ao ler o texto, você conhecerá como a taxa básica de juros de nossa economia tem se comportado nos últimos anos. Saberá também qual é o motivo desse novo ciclo de alta e, por fim, entenderá o reflexo que isso tem nos investimentos que você mantém em carteira.
Pronto para absorver esse conhecimento? Então tenha uma boa leitura!
Qual foi a trajetória da taxa Selic até agora?
Historicamente vemos a política econômica ser coloca em prática. Nesse sentido, um dos movimentos recentes mais impactantes no mercado e na nossa economia como um todo foi a fixação do valor de 14,25% ao ano para a taxa. Isso ocorreu na reunião de julho de 2015 sob o então governo Dilma Rousseff e perdurou até outubro de 2016, um pouco depois de sua saída por via do impeachment.
O patamar elevado constituía um sério problema para as finanças do país, que contraía uma dívida cada vez maior por meio dos títulos públicos federais, já que tem a taxa como seu principal indicador de referência. Foi quando uma diminuição do juro teve início para o bem de nossa economia e o movimento de queda durou nada menos que 4 anos, quando a Selic alcançou seu nível mínimo histórico de 2% ao ano.
O baixo patamar da taxa favoreceu em diversos aspectos a economia brasileira, sobretudo o custo dos empréstimos, em especial o crédito imobiliário. Por outro lado, as aplicações de renda fixa tiveram seus rendimentos bastante reduzidos e a renda variável tornou-se uma opção quase que obrigatório para o brasileiro, tão acostumado com a renda fixa.
Como nada é imutável nesse mundo, chegou o dia em que a taxa Selic experimentaria novo ciclo de alta. O movimento ascendente teve início na recente reunião do Copom de março de 2021 e até agora já quatro altas consecutivas. A reunião mais recente de agosto de 2021 fixou o novo nível em 5,25% ao ano, e vários atores do mercado projetam que a taxa fechará o ano em um valor próximo de 7% a.a.

Fonte: Banco Central
Qual o motivo da elevação e por que existe a perspectiva de novas altas?
O ano de 2020 foi um verdadeiro divisor de águas, não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. A razão disso foi a fatídica pandemia que atingiu em cheio a população mundial. As economias de todos os países sofreram por conta da necessidade de fechamento de comércios e o consumo das famílias foi fortemente atingido.
Nesse sentido, a inflação por volta de todo o planeta apresentou uma forte escalada, já que os principais produtos de consumo se tornaram relativamente escassos. O Brasil não passou incólume a essa crise e a meta da inflação projetada pelo Banco Central para 2021 foi ultrapassada em muito. O valor antes previsto de 5,25% ao ano já supera mais de 8% no acumulado de 12 meses.
Toda essa pressão nos preços motivou o Governo do Brasil a aumentar a taxa básica de juros. Trata-se de uma iniciativa para desestimular o consumo, já que o crédito se torna mais caro. Com uma menor atividade econômica, os preços tendem a baixar, corrigindo a alta presenciada por ocasião da pandemia.
Além disso, existem outros fatores adicionais que culminaram com a perspectiva atual. Existe a preocupação com o controle fiscal, representado pelas contas públicas que foram fortemente impactadas pelo dispêndio do auxílio emergencial. No total, o valor gasto ficou na casa dos R$ 300 bilhões.
Além disso, o país enfrenta uma forte pressão em seu câmbio. Após ver o real se valorizar frente ao dólar, a moeda norte-americana experimenta nova valorização, em muito explicada pela expectativa de alta de juros nos EUA. O motivo mais evidente para a ocorrência da queda anterior do valor do dólar frente ao real foi a alta nos preços das commodities, já que o Brasil é um grande exportador desses produtos.
Tudo isso faz com que o mercado espere uma elevação ainda maior da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom. A principal tendência entre os analistas de mercado é que esse valor suba até próximo de 7% ao ano, com leves variações em torno desse número.
Como ficam os investimentos com o novo patamar da taxa Selic?
Com um novo aumento da taxa Selic, o mercado de renda fixa ganho um novo fôlego. Após perder muita atratividade por conta do patamar de 2% ao ano, esse tipo de investimento pode começar novamente a atrair investidores. Aplicações atreladas ao CDI apresentarão retornos cada vez maiores a cada novo aumento na taxa.
No entanto, o cenário atual ainda é de juros reais negativos para a maioria das aplicações financeiras em renda fixa. O motivo disso é a alta inflação atuante no momento. Perceba que um investimento que retorna exatamente o valor da Selic de 5,25% teria um resultado negativo de -3,10% se considerarmos uma inflação de 8,35% ao ano.
Isso quer dizer que a renda variável deve continuar sendo uma opção considerada pelos investidores. A bolsa de valores, por exemplo, atravessa um ciclo de forte alta e provavelmente ainda deve compor o portfólio dos investimentos da maioria dos personagens de mercado.
Dessa forma, o provável movimento que deve ocorrer com o novo patamar da Selic é um balanceamento de carteira, com os recursos alocados em renda fixa se tornando gradualmente maiores que as aplicações em renda variável. Essa estratégia pode se mostrar bastante frutífera caso a meta de inflação do Banco Central de 3,5%.
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