3Na média, o brasileiro gasta mais do que ganha, se estressa quando o assunto despesas e compromissos financeiros e se sente incapaz de reconhecer um bom investimento.
Essas são algumas das constatações de uma pesquisa que avalia a saúde financeira do brasileiro realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em cooperação técnica com o Banco Central do Brasil e membros do sistema financeiro nacional.
Essas instituições criaram o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), que estuda a vida financeira de todas as classes socioeconômicas, nas cinco regiões do país. Foram 5.200 entrevistados.
Numa escala de 0 a 100, a saúde financeira do brasileiro adulto é de 57 pontos.
Abaixo estão alguns dos destaques da pesquisa:
Orçamento justo: 69,4% têm gastos iguais aos seus ganhos ou gastam mais do que ganham;
Estresse: 58,4% indicam que de alguma forma as despesas e compromissos financeiros são motivo de estresse em casa (mais de 53% afirmaram que o estresse dura mais de 1 ano);
Falta conhecimento: apenas 34,1% se sentem capazes de reconhecer um bom investimento;
Comportamento pode melhorar: 62% consideram que a maneira como cuidam do dinheiro não os permite aproveitar a vida;
Pouca reserva: apenas 21,9% dariam conta de uma despesa inesperada grande;
Ajuda necessária: não mais que 37,9% conseguem perceber que precisam buscar orientação;
Finanças pesam: para 53,5% compromissos financeiros reduziram o padrão de vida;
Insegurança: 64,7% não têm segurança sobre o seu futuro financeiro;
Sempre alerta: 65,7% dizem que pensam bastante antes de gastar dinheiro.
Segundo a pesquisa, os que participaram do levantamento apontam a necessidade de ter mais informações sobre finanças; incertezas quanto à maneira como lidam com o dinheiro e insegurança quanto ao futuro.
Faixas de saúde financeira
A maior parte da população (21,1%) está em uma faixa de saúde financeira muito ruim, ou seja, com risco de atingir uma situação crítica.
Por outro lado, 19,2% dizem que estão em uma situação boa, com domínio do dia a dia, mas que precisam dar um salto no patrimônio.

Saúde financeira por região
Quando analise-se as regiões do Brasil, a saúde financeira declara como “ruim” tem maior concentração no Sudeste brasileiro, com 14,1% dos entrevistados. Já a situação de saúde financeira “muito baixa” é maior no Nordeste, com 24,1%, e no Norte, com 22,2%.
De outro lado, a região que concentra maior percentual de pessoas que dizem que têm a saúde financeira “ótima” está no Sul do país, com 13,1%, assim como o maior percentual de “muito boa”, com 22,2%.

Dados por região e sexo
Ao analisar a saúde financeira do brasileiro por idade percebe-se que aqueles têm 60 anos ou mais se disseram com melhores condições: 9,7% declararam ter uma saúde financeira ótima e 27,7%, muito boa.
De outro lado, a maior parte daqueles que têm uma saúde financeira “ruim” estão entre 35 a 39 anos e 40 a 59 anos, ambos com 13,2% nesta categoria.
Pelo recorte de sexo, os homens declaram ter uma saúde financeira melhor do que as mulheres em geral. Enquanto 10,1% dizem ter uma saúde financeira ótima e 19,2% muito boa, as mulheres somam 5,9% como ótima e 17,2% como boa.
Na outra ponta, apenas 8,3% dos homens dizem ter uma saúde financeira ruim, enquanto 15,1% das mulheres afirmam o mesmo.
Segundo o estudo, o padrão das respostas revela pessoas que lutam por uma vida financeira estruturada, para fechar as contas do mês e a difícil missão que é ter reservas para emergências.

Principais pontos da pesquisa
De forma resumida, o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB) revelou que os brasileiros afirmam:
- Que vivem um limite justo entre renda e gastos;
- Raramente sobra dinheiro no fim do mês;
- Convivem com estresse por causa dos compromissos;
- Não se sentem capazes de reconhecer um bom investimento;
- Não conseguem perceber quando precisam de orientação;
- Sentem que não estão garantindo o futuro financeiro;
- Admitem que outro jeito de lidar com o dinheiro permitiria aproveitar melhor a vida.
Sobre o estudo
O Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB) foi desenvolvido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em cooperação técnica com o Banco Central do Brasil e membros do sistema financeiro nacional.
O estudo tem dois objetivos: micro e macro. No objetivo micro a proposta é fazer o diagnóstico individual de saúde financeira para identificar lacunas e personalizar estratégias de educação financeira. No objetivo macro o estudo permite uma análise agregada dos brasileiros para contribuir no aperfeiçoamento de políticas públicas e da ação privada em prol da educação financeira.
O que é o conceito de saúde financeira do I-SFB?
- Ser capaz de cumprir suas obrigações financeiras correntes;
- Ser capaz de tomar boas decisões financeiras;
- Ter disciplina e autocontrole para cumprir objetivos;
- Sentir-se seguro quanto ao futuro financeiro;
- Ter liberdade de fazer escolhas que permitam aproveitar a vida.





