Muito se fala em ouro como investimento, mas você sabia que a prata também é uma opção disponível para se investir no mercado financeiro?
No mundo dos investimentos, a prata é utilizada como uma ferramenta de reserva de valor. Assim como o ouro, as pessoas buscam a prata para proteger sua carteira de investimentos das oscilações de mercado.
Por isso, durante as crises – como a atual – esse tipo de ativo atrai ainda mais atenção do mercado.
Além de ser uma proteção da carteira, a prata também é usada como forma de diversificação. Assim como outros metais preciosos, ela é negociada em bolsas de valores, como as de Londres e Nova York.
No Brasil, esse mercado ainda é incipiente, e apenas a compra de ativos físicos está disponível. A boa notícia é que existem produtos financeiros que investem no metal no exterior.
Diferenças entre prata e ouro
Uma das diferenças da prata em relação ao ouro é o preço. A prata custa por volta de US$ 27 a onça-troy, valor bem inferior aos quase US$ 2 mil do ouro.
Outra diferença é que o mercado de ouro tem muito mais liquidez. Ou seja, o ouro é mais negociado mundialmente e atrai um número muito maior de investidores.
“O ouro é o primeiro bastião, o metal que todos procuram. Quando ele começa a ficar mais caro em um cenário ainda de riscos e incertezas, a prata é o substituto natural”, explica o assessor de investimentos da EQI, Elias Wiggers.
É isso que está acontecendo atualmente. Como o ouro não consegue absorver todo o apetite do mercado por ativos de baixo risco, o dinheiro migra também para a prata.
Em meio à pandemia, o metal está se valorizando. Veja o preço dos futuros da prata na Comex (contrato de setembro de 2020).

Por ter menos liquidez que o ouro, a prata é um metal muito mais volátil. Ou seja, seus preços variam com mais rapidez e de forma mais brusca.
Demanda industrial
Mas não é apenas a crise que explica o maior interesse pela prata. Outro motivo é o aumento na demanda industrial pelo metal, segundo o professor de finanças corporativas da Universidade Veiga de Almeida, do Rio, Haroldo Monteiro.
Ele explica que 50% do mercado de prata corresponde a usos industriais, principalmente na área de tecnologia. “Com o crescente uso desses produtos, o mercado vem experimentando uma demanda cada vez maior.”
Já o ouro tem menor utilização industrial (10-15% do mercado), mas é muito procurado por fundos de investimento como diversificação.
A prata tem várias aplicações na indústria, desde interruptores elétricos até painéis solares. De acordo com o Silver Institute, quase todo computador, celular e carro contém prata.
O material está presente também em instrumentos musicais, em itens de uso odontológico, baterias e na indústria farmacêutica.
Isso ocorre porque a prata serve para revestir contatos elétricos, devido à sua elevada condutividade e durabilidade.
Questão ambiental

Além de todos estes fatores, a demanda da prata também tem perspectivas de alta devido à crescente força do tema ESG no mundo dos investimentos.
Como a prata tem baixa toxicidade e ajuda a aumentar a eficiência energética dos equipamentos, ela é um produto visto com bons olhos pelos fundos ESG. Além disso, é usada para produção de painéis fotovoltaicos.
“Os fundos ESG gostam de produtos que não afetam o meio ambiente e não fazem mal à saúde”, explica Monteiro.
Hoje o metal está na moda, mas ele é utilizado pela humanidade desde as civilizações antigas. A história de sua utilização data de 3000 a.C. Junto com o ouro, o metal foi visto como sinônimo de riqueza durante séculos.
Atualmente, a prata é encontrada na América do Sul, Estados Unidos, Austrália, México e Noruega. Pode ser encontrada na forma pura ou associada a outros materiais.
Como investir
Vários tipos de fundos de investimento podem investir em metais, como a prata. Por exemplo, fundos multimercado, fundos cambiais e fundos de ações podem ter uma parcela das alocações neste tipo de ativo, a depender das regras de cada fundo.
No entanto, não é comum no Brasil ver fundos exclusivos de prata. Uma das opções existentes é o COE de prata.
Em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos, também é possível investir em ETFs (Fundos de índice) de prata. Nesses ETFs o investidor fica exposto à variação da cotação do metal.
COE de prata
Na plataforma do BTG, estará disponível em breve um Certificado de Operações Estruturadas de Prata.
Uma das vantagens desse investimento é que ele tem baixa correlação com outros ativos, o que traz proteção ao investidor.
De acordo com Wiggers, ele é uma opção interessante em um contexto de alta volatilidade dos mercados.
Como funciona
Se você ainda não conhece o COE, pode ler tudo sobre este tipo de investimento neste post.
Na verdade, o COE é uma cesta de ativos, e não um ativo único. Dentro desta cesta, o COE contém elementos de renda fixa e de renda variável.
Por um lado, a renda fixa dá segurança ao investidor. Ao mesmo tempo, a parcela de renda variável permite ganhos atrativos. No caso do COE de prata, a parcela de renda variável é aplicada em títulos lastreados em prata no mercado norte-americano.
A vantagem do COE é que ele tem o valor nominal protegido. Ou seja, isso significa que, no vencimento, você não perde o dinheiro que aplicou.
Em outras palavras, caso a rentabilidade seja negativa, na data de vencimento o investidor recebe de volta exatamente o que investiu.
Neste COE de prata, existem vários diferentes cenários de ganhos.
- Quando o investimento sobe até a primeira barreira (133% da cotação inicial), o investidor recebe três vezes a alta do ativo mais o capital investido.
- Quando o investimento chega até a segunda barreira (150% da cotação inicial), o investidor recebe duas vezes a alta do ativo mais o capital investido.
- Quando o investimento passa da segunda barreira até o limite de alta (entre 190% e 210% da cotação inicial), o investidor recebe a alta do ativo mais o capital investido.
- Se o investimento passar do limite de alta, o investidor recebe o limite de alta mais o capital investido.
O aporte mínimo no COE do BTG será de R$ 1 mil, e o vencimento em 2026.
Vale a pena investir?
Investir no COE de prata é uma boa pedida para garantir proteção e diversificação da carteira.
No entanto, os produtos financeiros que investem na prata têm pouca liquidez. Ou seja, o investidor só deve investir se puder deixar o dinheiro parado por bastante tempo.
Caso acredite que precisará do recurso em breve, é melhor passar longe da prata.
Além disso, assim como o ouro, a prata deve representar uma parcela pequena da carteira, até 5% do total. “A prata entra mais como uma diversificação, aquela pimenta a mais que você dá na carteira”, explica o professor.
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