Uma guerra mundial, mas contra um inimigo comum: o coronavírus. Foi essa a sugestão de Antonio Guterrez, secretário-geral da ONU, ao sugerir um cessar-fogo “imediato e global” entre as nações que ainda estão em batalha durante a pandemia.
Durante entrevista coletiva virtual, concedida na segunda-feira, o português mostrou preocupação com os conflitos armados que há tempos não cessam, como os que ocorrem na Síria, e pregou o “silêncio” das armas.
“Cessem as hostilidades. Deixem de lado a desconfiança e a animosidade. Silenciem as armas e detenham a artilharia. Ponham fim aos ataques aéreos. É crucial que façam isso. É por isso que hoje estou pedindo um cessar-fogo imediato e global em todos os cantos do mundo”, ordenou, segundo a Agência EFE.
Inimigo invisível
A hora é de focar toda a força em direção à pandemia da Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Invisível ao olho humano, mas devastadora, como frisou o secretário-geral da ONU.
“Nosso mundo enfrenta um inimigo em comum: a Covid-19. A fúria do vírus revela claramente a loucura de uma guerra”, bradou.
“Não nos esqueçamos que as áreas arrasadas por conflitos são as têm capacidade de resposta muito limitada. Se continuam os combates, podemos ter uma propagação devastadora”, alertou.
Água segura
A ONU também está sugerindo aos governantes de todo o mundo que forneçam o serviço de água de forma segura às pessoas, mesmo se elas não tiverem condições de pagar.
Léo Heller, integrante do Grupo Especial de Direitos Humanos do órgão internacional, conversou com o jornal O Estado de Minas e elogiou as iniciativas de dois governadores das principais capitais brasileiras: João Doria, de São Paulo, e Wilson Witzel, do Rio de Janeiro.
“Não se pode cobrar pela água de quem não pode pagar e nem de quem tem a tarifa social, aqueles que são inscritos no Cad-Único e no Bolsa Família”, comentou.
“O Doria adotou a medida de suspender as cobranças das contas de água dos mais carentes. Liberou a cobrança social. No Rio, o governador Witzel já acenou com essa possibilidade e esperamos que a adote”, completou Heller.
A ONU divulgou comunicado oficial alertando sobre a necessidade exposta pelo integrante do Grupo Especial de Direitos Humanos.
Segundo a entidade, “a luta mundial contra a pandemia tem pequena chance de êxito se a higiene pessoal, a principal medida para prevenir o contágio, não está disponível para 2,2 bilhões de pessoas, que não têm qualquer acesso a serviços seguros de água”.
Em outra parte do comunicado, a ONU ressalta: “Conclamamos os governos a proibir imediatamente os cortes de água daqueles que não podem pagar suas contas. Também é essencial que forneçam água de forma gratuita durante a duração da crise, para pessoas em situação de pobreza e por aqueles afetados pelas dificuldades econômicas que se aproximam. Prestadores, tanto públicos como privados, devem ser obrigados a cumprir com essas medidas fundamentais.”
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