O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comandou a entrevista coletiva em que os membros da pasta confirmaram os números mais recentes do coronavírus no Brasil.
Até o momento, foram registrados no País 3904 casos da Covid-19, com 114 óbitos confirmados até as 17 horas deste sábado, 28 de março.
O relatório do ministério da Saúde, acompanhado pela reportagem do Eu Quero Investir, revelou ainda que houve um aumento de 487 casos e 22 mortes nas últimas 24 horas. A taxa de mortalidade do coronavírus no País é de 2,8%.
São Paulo segue como recordista de casos e de óbitos em território brasileiro. São 1406 pacientes detectados com a Covid-19 e 84 mortes.
Rio de Janeiro, com 558 casos e 13 mortes, Ceará, com 314 casos e uma morte, e Distrito Federal, com 260 casos e nenhuma morte, completam o ranking dos Estados mais afetados do Brasil.
Mandetta nega ter testado positivo
O ministro Luiz Henrique Mandetta iniciou sua participação na coletiva negando que tenha testado positivamente para o coronavírus.
Segundo ele, “um jornalista renomado comeu uma barriga enorme. Não tenho nem anticorpos ainda, e estou completamente suscetível a testar positivo”, avisou.
“Tudo o que for, mesmo as notícias mais duras, serão dadas aqui, por mim”, completou Mandetta.
Recado duro e planejamento
O ministro da Saúde voltou a pedir “planejamento” a todos para evitar corrida no momento de comprar equipamentos médicos que possam prevenir a contaminação, como máscaras de proteção.
Mandetta mandou um recado duro ao que rotulou de “epidemiologistas de plantão”. E aos que comparam os números registrados na epidemia de H1N1 com a atual, de Covid-19.
“Esta epidemia é totalmente diferente da H1N1. Fui gestor da epidemia de H1N1. Existia um medicamento. Não há receita de bolo. Quem imaginar pensando que essa é igual, vai errar feio”, disparou. “Essa doença ataca as estruturas de saúde do mundo”, completou.
Regras da quarentena e mais um “fico”
O ministro da Saúde chegou a abordar, durante seu pronunciamento, o assunto que mais mal-estar causou entre o presidente Jair Bolsonaro e alguns governadores: as regras do confinamento, a popular quarentena durante o coronavírus.
“Economia é sim muito importante para a Saúde. A última vez que foi usada quarentena no Brasil foi em 1917, na gripe espanhola. Ninguém tem esse parâmetro. Não é momento de apontar arma para governador A, B ou C”, opinou.
“A orientação é ficar em casa, parado, até que o poder público consiga colocar os equipamentos nas mãos dos profissionais que precisam. Se sair andando todo mundo de uma vez vai falar para o rico, para o pobre, mara o dono da empresa, para o dono do botequim, para o dono de todo mundo”, disparou Mandetta.
O ministro pregou planejamento e logística mais uma vez como formas de garantir que Saúde e Economia caminhem de mãos dadas para superar a pandemia.
“Tem que garantir alimento. Pessoa não consegue ficar na casa dela. Geladeira fica vazia. Se não tiver logística, como vai chegar o alimento. Vamos colocar, sim, alguns parâmetros, mas não será o plano do ministro Mandetta. Estamos discutindo com secretários estaduais e municipais para construir um consenso. E vamos medir todo dia. Se notar que estamos perdendo a guerra, vamos lá e apertamos. Mas todos juntos”, avisou.
Mandetta voltou a repetir também que não pensa em pedir demissão do cargo. “Vou ficar aqui enquanto o presidente permitir e enquanto minha saúde permitir. Ou quando não for mais necessário estarmos aqui. Vamos trabalhar com essa equipe, agregando gente todo dia. A Saúde não é uma ilha”, concluiu.
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