Em um cenário inverso ao histórico, o governo do México pretende dificultar a entrada de norte-americanos em seu país, a partir da fronteira com os Estados Unidos, para tentar evitar a entrada de infectados em seu território. Enquanto o país latino tem 26 casos e 2 recuperados, o vizinho ao norte enfrenta uma verdadeira epidemia, com 3.244 casos e 58 mortos em virtude do novo coronavírus, conhecido como Covid-19.
“O México não levaria o vírus para os Estados Unidos, mas os Estados Unidos o trariam para cá”, disse o subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde do México, Hugo Lopez-Gatell, em entrevista coletiva.
“O possível fluxo de coronavírus viria do Norte para o Sul. Se fosse tecnicamente necessário, consideraríamos mecanismos de restrição ou vigilância mais forte”, ressaltou.
Sentido inverso
A curiosa inversão de preocupação com a imigração se dá porque os Estados Unidos não conseguem controlar o surto e nem estão perto disso.
O presidente dos EUA, Donald Trump, porém, tenta capitalizar a seu favor, ideologicamente, a questão. Para ele, o momento comprova a necessidade de bloquear as travessias na fronteira com um muro EUA-México.
“Até este ponto, e por termos uma política de fronteiras muito forte, tivemos 40 mortes relacionadas ao coronavírus. Se tivéssemos fronteiras fracas ou abertas, esse número seria muitas vezes maior!”, Trump twittou nesta sexta-feira (13).
O número de mortos, porém, já cresceu para 58 no domingo (15).
A questão é que para Trump o muro serve para impedir a entrada de mexicanos e outros imigrantes não desejáveis. Agora, é o México que quer impedir a entrada de norte-americanos.
México sem problemas
Mesmo com o tamanho do país e da grande população, o México segue bem isolado da pandemia. São apenas 26 casos confirmados até aqui e dois deles já se encontram recuperados.
Até por isso, o governo não precisou ainda tomar nenhuma grande medida, como fechar escolas e proibir aglomerações.
LEIA MAIS
Trump dá negativo à teste do coronavírus; veja atualizações