O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o mercado financeiro deve revisar a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) um pouco mais para baixo.
A declaração foi realizada, nesta quarta-feira (1), na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciar uma queda de 0,1% do PIB no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior.
“Com o número de hoje, a gente acha que pode ser revisado um pouquinho para baixo, vamos observar”, afirmou sobre a projeção mais recente do PIB feita Boletim Focus, de alta de 5,22% para a economia neste ano.
O presidente do BC argumentou que a economia brasileira está em recuperação no formato em “V”, cenário em que a produção diminui e cresce em grandes proporções. Desta forma, o governo avaliou um crescimento na casa de 5,22%, porém essa projeção deve ser reavaliada.
Ele alertou também que o rompimento do teto de gastos não teria impacto positivo sobre a economia. Campos Neto aponta que, mesmo com o aumento de gastos para combater os efeitos da pandemia, as retomadas econômica e fiscal foram melhores do que o esperado. Inclusive, o governo divulgou na última terça-feira (31) que o déficit do segundo trimestre foi menor do que o mercado esperava.
Campos Neto destaca que a inflação está “rodando bastante alta” nos últimos 12 meses, o que a torna muito “indesejável”, embora ele aponte que a inflação descontrolada é uma consequência do crescimento da economia. O mandatário do BC voltou a criticar a acomodação do câmbio e dos preços de commodities.
Apesar da acomodação, ele avalia que o dólar tem se comportado melhor, mas que os agentes econômicos ainda estão atentos aos sinais sobre o comprometimento do governo com a sustentabilidade fiscal.
“A gente começa a ver agora um fluxo cambial maior, o dólar tem se comportado melhor nos últimos meses em torno desse nível”, afirmou.
“E se de fato o Brasil conseguir atingir credibilidade com um dólar desvalorizado, com exportações, com preço de commodities – lembrando que nós exportamos muito commodities -, esse fluxo deve fazer o dólar voltar a um equilíbrio mais baixo, mas temos um tema de credibilidade. A gente tem tido uma oscilação grande entre entrada e saída de acordo com o que os agentes econômicos entendem que é o futuro do país”, completou.
Ela ainda explicou que o Brasil tem um grande volume de reservas internacionais, porém as intervenções são realizadas apenas quando o Bacen entende que há falta de liquidez no mercado.





