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Marfrig (MRFG3) tem “margens impressionantes em tempos excepcionais”, diz BTG

Marfrig (MRFG3) tem “margens impressionantes em tempos excepcionais”, diz BTG

Marfrig (MRFG3): “margens excepcionais em tempos excepcionais”, diz o BTG Pactual, em análise sobre os resultados do segundo trimestre de 2020

O resultado apresentado pela Marfrig (MRFG3) impressionou os analistas do mercado pelos números recordes apresentados, bem acima do esperado.

O BTG Pactual não enxergou de forma diferente. Chamou o resultado de “nada além de impressionante”

O crescimento recorde do EBTIDA, de R$ 4.068 milhões no 2T20, é uma expansão de 266% na comparação com o 2T19.

“Ajudado pelos impactos da pandemia nas margens da carne bovina e um real mais fraco”, diz o BTG, “a Marfrig conseguiu superar até as expectativas mais otimistas”.

“O EBITDA reportado cresceu 79% acima de nossa estimativa”, diz o banco em relatório de análise do resultado da Marfrig.

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Margens excepcionais

A margem EBITDA de 21,5% foi “impulsionada principalmente pelo desempenho histórico no mercado dos EUA”.

Ali, as margens mais do que dobraram e o EBITDA quase triplicou em dólares americanos.

“O lucro líquido refletiu fortes resultados operacionais”, diz o relatório.

O resultado “mais do que compensou o impacto cambial negativo, e ficou em R$ 1,6 bilhão”, também um recorde.

Assim, segundo o banco, a Marfrig conseguiu “margens excepcionais durante tempos excepcionais”.

E tempos excepcionais é exatamente o que estamos vivendo.

“Olhando em retrospecto, não é difícil entender de onde vieram essas margens fortes”, segue.

A pandemia levou a uma redução abrupta das atividades de abate de gado nos Estados Unidos.

Essa redução foi causada pelo absenteísmo e suspensão temporária nas fábricas.

“Isso explica a redução de 7% ano a ano nos volumes da Marfrig na América do Norte, com uma redução de 14% na utilização da capacidade”, explica o banco.

No entanto, “as empresas de carne bovina não são verticalmente integradas e os estoques do canal de carne bovina são relativamente pequenos, o que significa que uma redução abrupta nas compras de gado e na produção de carne bovina levou os preços do gado a despencar e os preços da carne bovina dispararam, beneficiando imensamente as margens dos frigoríficos”.

Na América do Sul, os spreads também dispararam.

Isso, “juntamente com um progresso operacional consistente e uma abordagem comercial sólida para as exportações de carne bovina, também levou a uma margem EBIT recorde de 9,4%”.

Quanto tempo dura a bonança da Marfrig?

A pergunta feita pelo BTG Pactual parece que não foi feita por outros analistas.

Mais do que nunca, a Marfrig vive uma encruzilhada para os próximos trimestres.

Ou seja, o banco não vê essas margens como recorrentes

“No 3T20”, explicam, “a utilização da capacidade da indústria voltou aos níveis pré-pandêmicos, e os spreads de carne bovina dos EUA até agora estiveram muito mais próximos da normalização”.

A questão agora, para os analistas, é se a rentabilidade forte pode fazer a Marfrig gerar caixa suficiente para reduzir sua dívida estimada de R$ 18,1 bilhões antes que as margens se normalizem totalmente.

Para o BTG, embora não como no segundo trimestre, a indústria ainda desfrutará de um momento positivo no 2S20.

Entretanto, o ciclo nos EUA acabará caindo em 2021.

“Em um cálculo retroativo, com base na normalização margens nos Estados Unidos e América do Sul, estimamos o EBITDA anual da Marfrig em cerca de R$ 4 bi a R$ 4,5 bilhões, o que daria um EBITDA mais exigente de ~ 6x a 7x”. E vai além: “Isso se compara a um EBITDA LTM ​​de R$ 8 bilhões, que, se perpetuado, reduziria esses múltiplos pela metade”.

Vale lembrar que LTM (last twelve months) se refere ao somatório dos resultados apurados nos últimos doze meses.

O LTM não é uma medida utilizada nas práticas contábeis adotadas no Brasil. Não há um significado padronizado.

O BB Investimentos concorda

“Para os próximos trimestres, uma vez normalizado o abate nos EUA, acreditamos que os spreads e margens devem se reduzir, voltando à normalidade, mas ficando ainda superiores à média histórica em nossas estimativas”, diz os analistas do BB.

Adicionalmente, para eles, o retorno gradual das exportações da Europa e a consistência da demanda chinesa devem sustentar margens na América do Sul.

Assim, diante de respectivos incrementos em rentabilidade, resultados consistentes e perspectiva positiva à frente, o BB antecipa a revisão de estimativas para MRFG3, colocando novo preço-alvo para 2021e de R$ 19,0/ação.

“Além disso, mantemos nossa recomendação de compra”, dizem.