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Gestor da Versa fala das apostas em BRPR3, VVAR3 e bancos

Gestor da Versa fala das apostas em BRPR3, VVAR3 e bancos

Luiz Alves, gestor da Versa, explica a estratégia do fundo que está entre os mais rentáveis do ano e conta o que mudou com a pandemia

Com um perfil marcado pela volatilidade e por apostar em ações que fogem do consenso do mercado, os fundos da gestora independente Versa Asset têm sido um dos destaques deste ano nada típico. 

O Versa Long Biased FIM acumula uma rentabilidade de 72,9% em 2020, enquanto o Ibovespa cai 12,5%. 

No início da semana passada, o gestor Luiz Fernando Alves detalhou em uma live da EQI a estratégia da Versa e falou sobre as apostas da casa.  

“Procuramos nas empresas algumas características e investimos para surfar um movimento de 15, 20 anos. É assim que se ganha dinheiro com ações”, explicou. “Não é dando tiro curto, de 10%, 15% e saindo.” Alves diz que a estratégia é desenhada em cima de vetores de geração de valor, o que vai fazer a empresa crescer. “Enquanto esses vetores continuam lá, a gente continua posicionado.” 

Dependendo do cenário, o Versa Long Biased pode ficar 230% comprado e 130% vendido. No primeiro semestre, no início da turbulência provocada pela pandemia, a gestora reduziu a exposição comprada do fundo para deixá-lo neutro. Depois, quando a situação começou a clarear, aumentou as posições compradas. 

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Na live com a EQI, Alves falou de alguns papéis que ganharam mais relevância na carteira nos últimos meses. Confira abaixo, a tese de investimento em BR Properties (BRPR3), Via Varejo (VVAR3), Hering (HGTX3 ), bancos e GM. 

BR Properties (BRPR3)

“Compramos BR Properties quando identificamos que o equilíbrio do mercado de São Paulo, que é o principal da empresa, estava começando a migrar da mão do cara que aluga laje comercial para o proprietário da laje comercial. Ssão Paulo teve um boom de laje comercial em 2010, depois veio a crise, que acabou gerando um hiato nas novas entregas.

Identificamos na Versa que, com a crise passando, essa vacância ia diminuir bastante e haveria reajuste de preço. Em 2017, com o preço abaixo do pré-crise, investimos. De lá para cá, eles venderam ativos que não conseguiam alugar de jeito nenhum, fizeram um aumento de capital e começaram a concentrar os ativos em triple A. Também  fizeram compras em um preço bom.

O papel saiu de R$ 9, quando entramos, para R$ 14. Quando veio a pandemia, caiu para R$ 9 de novo. O que aconteceu foi que triplicamos a posição porque não identificamos mudança no vetor de valor. Apesar de muita gente dizer que o home office vai mudar o preço das lajes comerciais, o que temos visto é que não tem nada disso acontecendo. Estamos vendo uma demanda pujante de lajes em São Paulo e no Rio.”

Via Varejo (VVAR3)

“Já investimos e saímos de Via Varejo algumas vezes por conta dos vetores de geração de valor. É uma empresa muito boa em termos de marca, de malha logística, é a que tem o maior poder de compra do setor. Os fornecedores gostam muito da relação com a Via Varejo, mas era mal tocada.

Investimos quando a família Kein voltou para o negócio. Mas digitalização se tornou um fator chave nesse setor e percebemos que ele não vinha acontecendo na empresa. Reduzimos nosso investimento na companhia.

Aí veio a pandemia e isso é muito ilustrativo da nossa forma de investir. O papel caiu para a bacia das almas e é chave no setor e não vinha acontecendo. Aí reduzimos investimento na empresa.

Esse caso é muito ilustrativo da nossa forma de investir: na pandemia, o papel caiu para a bacia das almas e a gente não fez nada, porque não conseguíamos enxergar mudança nos vetores de geração de valor. No entanto, no segundo trimestre, com a aceleração do canal online, passou a ser a maior posição fundo.”

Hering (HGTX3)

“A Hering vinha num processo de reestruturação de marca e canais muito forte, implementada pelo Thiago Hering, filho do fundador, que veio com uma visão mais moderna, trazendo muitos frutos para a empresa.

Mas o quarto trimestre de 2019 foi uma ducha de água fria, porque as vendas mesmas lojas vieram aquém do que se esperava. A gente sentou com a empresa para entender o que aconteceu continuou investindo porque  acreditamos no diagnóstico que fizeram e nas medidas corretivas que estavam apresentando.

Não aumentamos a posição durante a pandemia, ainda por causa da frustração do quarto trimestre, mas ainda é um dos grandes investimentos que a gente tem. Depois da call do segundo trimestre deste ano, aumentamos um pouco a posição. Isso porque gostamos de ouvir do Thiago Hering que agora era hora de ir pra cima. Ele está aproveitando o fechamento de lojas nos shoppings para fazer o rollout da Mega Loga Hering no shopping São Caetano. Os números são muito bons.”

Bancos 

“Temos posição bem significativa em bancos através de opções de Bradesco e Itaú. Os bancos estão bizarramente baratos no Brasil e pode ser um dos setores que vai ser dar menos mal na pandemia.

As tarifas vão cair, agências serão fechadas, vão mandar gente embora, e vão compensar isso com redução de custos. Podem se alavancar mais, a carteira de crédito tá crescendo, a inadimplência está saudável… Minha sensação é de que na crise aproveitam para emprestar para gente boa, com spread maior. No final do dia podem se dar muito bem.

Os bancos brasileiros têm um diferencial muito forte em relação ao setor bancário no mundial. Os bancos lá fora também estão muito baratos. Aqui, o Banco do Brasil está negociando a 6 vezes o Preço/Lucro, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 15%. Paga dividend yield de 7,5% e distribui só 25% do lucro.

Montamos na Versa uma posição bem grande de opções para fazer alavancagem e comprar bancos.”  

GM 

A GM é nosso primeiro investimento fora do País. Somos muito cautelosos, por isso esse é o nosso primeiro passo fora. Na pandemia, vimos tudo tão barato aqui e começamos a procurar empresas baratas lá fora também.

Encontramos a GM, com esse baita histórico que a gente adora: negocia 6 vezes o Preço/Lucro; tem o maior market share nos EUA desde sempre, com participação enorme no mercado chinês. Tem crescimento, geração de caixa forte.

Além de duas sementinhas que se não vingarem, tudo bem porque a empresa já está barata, mas se vingarem, será transformacional. Uma delas é o Cruise, sistema em que é possível programar o carro para dirigir.

O outro é um uber autônomo, que já está rodando na Califórnia. Quando compara o valuation da GM com Tesla e Uber vê que tem muito valor para gerar para a companhia.