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Já prevista, queda do PIB deve impactar pouco o mercado

Já prevista, queda do PIB deve impactar pouco o mercado

O PIB brasileiro teve queda recorde de 9,7% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, segundo informação divulgada nesta terça-feira (1) pelo IBGE.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve queda recorde de 9,7% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, segundo informação divulgada nesta terça-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, o resultado veio em linha com a projeção apresentada ontem (31) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que antecipou que a queda ficaria entre 8% e 10%.  E, na visão dos analistas, deve impactar pouco na bolsa hoje.

“Vejo o resultado do PIB como ruim. Mas bem marginal para o mercado hoje”, afirma João Pedro Brugger, assessor de investimentos e sócios da EQI Investimentos.

“Realmente não vejo como uma tragédia. A queda, apesar de forte, já era prevista”, diz. Ele afirma ainda que se mantém otimista quanto aos próximos meses. “A economia está retomando a normalidade e os próximos trimestres serão melhores”, acredita.

A opinião é a mesma de Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos. “Os indicadores e a indústria já vêm sinalizando que o segundo semestre será mais positivo”, diz.

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Destaques do PIB

Para Paulo de Souza, assessor de investimento e sócio da EQI Investimentos, o maior destaque do PIB fica por conta do agronegócio, único setor a apresentar crescimento – avançou 0,4% na comparação do primeiro para o segundo trimestre.

“O agronegócio foi o único ponto positivo e vem salvando o PIB nos últimos anos”, diz.

Já a indústria, em sua opinião, vem caindo fortemente, o que preocupa. O setor teve queda histórica de 12,3%.

“Podemos estar passando por um processo perigoso, com indústria ociosa e o dólar em alta, encarecendo matéria prima e maquinário. Então, é bem provável que o agronegócio siga puxando o Brasil”, afirma.

PIB deve manter Selic baixa

Para Souza, o resultado do PIB também sinaliza que, dependendo de como a economia se comporte daqui em diante, a Selic pode ser mantida em 2% por um bom tempo. Isto para incentivar o crédito e o consumo no país. E, desta forma, impulsionar o PIB nos próximos meses.

A opinião é a mesma de Brugger, que também aposta em Selic baixa pelo resto do ano, para incentivar o consumo das famílias, que veio baixo.

O consumo das famílias, que representa 65% do PIB, teve queda recorde de 12,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2020.

Para Cruz, da RB investimentos, o impacto poderia ter sido pior, sem as medidas governamentais adotadas. Em sua análise, o auxílio emergencial e o aumento da oferta de crédito foram fundamentais. “Com o tamanho desta crise, a queda poderia ter sido muito maior, como observamos em outros países”, pondera.

Brasil entra em recessão

O resultado do PIB reflete a crise do coronavírus e as interrupções das atividades devido à pandemia de coronavírus – que começou em março no Brasil e teve impacto mais forte nos indicadores de abril.

A queda de 9,7% no trimestre também faz com que o país entre, oficialmente, em recessão técnica. Ela se caracteriza por dois recuos consecutivos na atividade econômica. No primeiro trimestre, o PIB teve queda de 1,5%.

Prévia para este e os próximos anos

De acordo com o último Boletim Focus, que traz as estimativas semanais das instituições financeiras, a queda do PIB em 2020 deve ser de 5,28%. Pelo Boletim Macro Econômico do governo federal, a queda deve ser de 4,7%.

Para o próximo ano, porém, as expectativas são melhores. Segundo o governo, o PIB deve crescer 3,2% em 2021. Isto segundo a estimativa enviada ao Legislativo ontem (31), junto à proposta de orçamento. O Focus projeta 3,5% de crescimento.