Após um 2020 de cancelamentos e adiamentos de IPOs e follow-ons em decorrência da pandemia de coronavírus, 2021 tem sido um ano de grande apetite dos investidores. E ainda há cinco meses pela frente.
Reportagem do Estado de S. Paulo mostra que a instabilidade da Bolsa está aumentando o interesse de empresários e fundos de investimento em garantir a demanda por ofertas de ações até mesmo antes de as operações serem anunciadas.
Nos últimos meses, companhias como Multilaser, Smart Fit e Unifique são exemplos de empresas que foram ao mercado com a promessa da participação de investidores – a chamada “ancoragem”. O jargão do mercado se trata de uma ordem de compra antecipada. Assim, atrai-se mais investidores, com potencial impacto positivo no preço da ação.
A “mensagem” por trás desse movimento ajuda a definir o intervalo de preço das ações nas ofertas iniciais.
A volta dos IPOs e follow-nos
No gráfico abaixo, que traz dados da B3 disponibilizados desde 2004, é possível notar que a maior entrada de capital via IPO, incluindo todos os tipos de investidores (varejo, institucional, estrangeiro e outros), ocorreu em 2007 com R$ 55,6 bilhões.
Desde então este número começou a cair e somente em 2020 (ano da pandemia) voltou a apresentar entrada forte de capital com R$ 43,9 bilhões e, ao que tudo indica, 2021 tende a ser parecido, já que até o fechamento de junho temos entrada de R$ 38,2 bilhões via IPO.
No caso dos follow-ons, que são movimentos de empresas já listadas na B3, é possível notar que desde 2004 este valor não ultrapassou a marca dos R$ 25 bilhões, exceto em 2010, um ano atípico com um follow-on da Petrobras que sozinho movimentou R$ 120 bilhões.
No entanto, nos últimos anos, assim como os IPOs, o follow-on ganhou força e em 2019 e 2020 ultrapassou a marca dos R$ 70 bilhões, e já nos primeiros meses de 2021 captou R$ 40,2 bilhões.

Investidores pessoa física estão aumentando
Analisando desde 2019, quando houve uma retomada do fluxo de capital na B3 via mercado primário, houve 42 transações, sendo 5 IPOs e 37 follow-nos, segundo dados coletados pela Eleven Research.
Já em 2020 foram 53 operações, ressaltando que em março houve sell-off pelo mundo e aqui no Brasil. Ou seja, vários IPOs e follow-ons que estavam para sair foram suspensos/cancelados.
Separando o ano de 2020 em dois, houve 12 operações no 1º semestre e 41 no 2º semestre, desse total de operações vimos mais da metade (28) em IPOs e 25 follow-ons.
Por fim, nos seis primeiros meses de 2021 foram 44 operações, com 28 IPOs e 16 follow-ons.
Ainda analisando desde 2019, considerando o volume total de IPO e foloow-on, há uma mudança do perfil do investidor, como apresentado nos gráficos abaixo, onde há a participação de cada tipo de investidor.
Mas nota-se que o investidor de varejo vem começando a ganhar destaque aos poucos, o que condiz com o número de CPFs na Bolsa, que de 2019 para cá deu um salto, saindo de 1,5 milhão para um pouco mais de 3 milhões.

Somando 2019, 2020 e 2021 houve 61 IPOs e 78 follow-ons, totalizando 139 operações.
“Acreditamos que ao longo de 2021 e nos próximos anos esses números tendem a continuar crescendo, conforme a economia vá se recuperando da crise da covid-19 e a quantidade de investidores na Bolsa vá aumentando. Por fim, vale destacar que comparado a outros mercados globais, a nossa bolsa ainda segue bem defasada, com um pouco mais de 400 companhias listadas na B3 e o índice Ibovespa com apenas 84 empresas”, afirmam os analistas da Eleven.






