A inflação dos EUA em agosto veio abaixo das expectativas do mercado. No entanto, apesar de ter perdido força no mês passado, a alta acumulada é de 5,3% nos últimos 12 meses, e a expectativa é de que ela permaneça elevada, pelo menos por boa parte de 2022.
De acordo com declarações de um funcionário da Casa Branca à Reuters na terça, 14 de setembro, a recuperação econômica pós Covid-19 ainda pode trazer surpresas. No entanto, até o momento a trajetória é positiva.
“Estamos em uma recuperação sem precedentes, por isso ainda haverá altos e baixos”, declarou o funcionário. “Porém, o que tem sido por todos, desde o Fed e analistas do setor privado é que a inflação é transitória. Ou seja, irá durar enquanto nos recuperamos da pandemia.”
Entretanto, mesmo sendo considerada transitória, a alta dos preços preocupa a Casa Branca e o Departamento do Tesouro. Nesse sentido, o aumento do custo dos aluguéis é um dos principais pontos de alerta. Isso porque a alta pode influenciar fortemente a inflação geral, causando um “efeito cascata” nos preços.
Por que a inflação nos EUA preocupa tanto o resto do mundo?
Uma das principais medidas adotadas pelos governos para conter a inflação é o aumento da taxa de juros.
Por aqui, desde março de 2021, temos acompanhado sucessivas altas da Selic a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). E, de acordo com analistas, a perspectiva é de a taxa básica de juros permaneça em ascensão. Nesse sentido, há quem aposte em patamares da Selic próximos a 10% até o final de 2021.
Nos EUA, esse processo não é diferente. Inclusive, com a proximidade do tapering, ou seja, do fim dos estímulos financeiros no país, o mercado teme um reflexo inflacionário.
E os juros nos Estados Unidos aumentarão de fato?
No final de agosto, o presidente do Fed, Jerome Powell afirmou que, apesar do tapering, os juros serão mantidos nos atuais patamares.
Segundo Powell, “o fim dos estímulos é uma coisa; o aumento dos juros nos EUA é outra”. A declaração animou os mercados, que já estavam preocupados com a alta dos juros norte-americanos.
No entanto, apesar da intenção do Fed, não há nenhuma garantia de que o país consiga controlar a inflação após o fim dos estímulos. Logo, se os preços continuarem subindo, o aumento dos juros pode sim se tornar uma realidade nos EUA.
De acordo com Elias Wiggers, assessor de investimentos e sócio da EQI Investimentos, é importante prestar atenção na evolução dos juros norte-americanos depois da retirada dos estímulos financeiros.
Para Elias, “com juros externos altos, veremos dinheiro migrando para países com melhores fundamentos econômicos”. Isso poderá depreciar ainda mais o real e pressionar a inflação, que já tem perspectiva de alta para os próximos tempos.
Por fim, Wiggers manifesta preocupação com a possibilidade de uma “tempestade perfeita” depois do tapering. “Se isso acontecer, o cenário poderá ficar preocupante para a economia e para o mercado financeiro brasileiro”.
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