O Ministério da Saúde anunciou nesta terça (17) o balanço dos casos de Covid-19 no Brasil. O número de infectados no país, confirmados pelo governo, subiu para 291.
Os casos suspeitos de coronavírus subiram de 2 mil para 8.819.
“A diferença dos casos suspeitos é porque existiam em vários estados e não estavam sendo validados por sistema automatoizado”, afirmou Júlio Croda, da equipe do Ministério da Saúde, na entrevista coletiva concedida sobre o balanço do dia.
“Afirmamos que era melhor utilizar o sistema automatizado. É mais importante mostrar aumento de notificação do que ficar só nos 2 mil casos”, acrescentou Croda.
Casos de coronavírus pelo Brasil
O ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta informou que o número maior de casos ainda se concentra em São Paulo (164 confirmados) e no Rio de Janeiro (33).
O Distrito Federal tem 21 casos.
Outros estados que atendem pacientes confirmados com o coronavírus são Pernambuco (16), Rio Grande do Sul (10), Santa Catarina e Minas Gerais (sete cada), Goiás e Paraná (seis cada), Ceará (cinco), Sergipe e Mato Grosso do Sul (quatro), Bahia (três) e Amazonas, Rio Grande do Norte, Alagoas e Espírito Santo (um em cada estado).
Primeira morte por Covid-19 no país
O ministério confirmou a primeira morte por Covid-19 no país, um homem de 62 anos, que tinha diabetes e hipertensão. O paciente morreu no hospital Sancta Maggiori, no Paraíso, bairro da zona sul de São Paulo.
É um porteiro aposentado, que trabalhava nesse bairro paulistano. Segundo reportagem do jornal O Globo, em sua edição online, quatro parentes do paciente não foram testados para o Covid-19.
“Em quase 300 casos tivemos primeiro óbito. Não podemos falar isso porque podemos ter seis óbitos amanhã. Não temos condição de falar a letalidade. Brasil é um país jovem, vamos ver como isso funciona”, declarou Mandetta.
Sobe a taxa de mortalidade
Mesmo assim a taxa de mortalidade já passou pra 4,01%. Na sexta, era 3,73%
Em relação aos casos suspeitos, São Paulo possui 5.047, seguido por Rio de Janeiro (859), Minas Gerais (563), Bahia (354), Rio Grande do Sul (300) e Distrito Federal (253).
Casos suspeitos de Covid-19 podem subir aos milhares
A região com menor número de suspeitas continua a sendo a Norte (96), enquanto a com mais pessoas em investigação é a Sudeste (6.538). Os casos descartados somam 1.899.
Do total, 57% são casos importados (aqueles contraídos fora do país), 32% são oriundos de transmissão local (adquiridos de pessoas que foram infectadas fora do país) e 12% são resultado de transmissão comunitária (quando as autoridades não conseguem identificar a cadeia de infecção e o primeiro paciente ou quando já ultrapassou a quinta geração da rede de contágio). Outros 2% ainda estão em investigação.
O ministro da Saúde afirmou que o número de casos confirmados no país pode subir para “a casa dos milhares em abril e maio”.
A avaliação apresentada pelo ministério é que a situação deve piorar nos próximos meses, com aumento dos casos. A situação, se adotadas as medidas e recomendações, só deve resultar em um alívio do quadro no segundo semestre.
“Vamos passar 60 a 90 dias de muito estresse. Para que quando chegar no fim de julho entra no plateau [estabilidade]. Em agosto e setembro podemos estar voltando [a normalidade] desde que construamos a imunidade de mais de 50% das pessoas”, prevê Mandetta.
Do total de casos confirmados no balanço desta terça, 16% dos pacientes têm acima de 60 anos.
O ministro ponderou que com o aumento das iniciativas de distanciamento social é preciso ter atenção para não gerar impactos prejudiciais.
“Temos que ter cuidado com medidas restritivas que impeçam abastecimento de grandes eixos. Temos que tomar medidas mas sem causar mais problemas”, ponderou.
Forças policiais
Representantes do Ministério da Saúde responderam a questionamentos sobre a portaria publicada hoje pela pasta em conjunto com o Ministério da Justiça.
O documento obriga a realização de procedimentos determinados por autoridades de saúde e autoriza o emprego de forças policiais para isso.
“Ela deixa claro situações em que isso deve ocorrer, como vacinação, exame e isolamento. Não pode haver abusos. O que esperamos é a não necessidade de a cada momento tenhamos que acionar o judiciário para obter êxito”, respondeu o secretário executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis.
Testes de coronavírus
Os representantes do ministério afirmaram que estão dialogando com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com laboratórios privados para ampliar a oferta de testes.
Os exames foram apontados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como medida fundamental para evitar a disseminação do vírus nos países.
A Fiocruz teria se comprometido a entregar mais 45 mil testes entre março e abril, e até 1 milhão de exames até os próximos quatro meses.
Nos locais com transmissão comunitária, passarão a ser testados apenas pacientes internados.
A justificativa apresentada pelos integrantes do ministério foi que nessas situações (quando o vírus está mais disseminado e não há mais conhecimento sobre a cadeia de infecção) não há insumos para testar todas as pessoas, devendo privilegiar o foco nos casos mais graves.
“Quando temos transmissão comunitária, temos que testar pessoas com síndrome respiratória aguda grave, quem vai ao hospital e população mais vulnerável, especialmente os idosos”, comentou a representante da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) no Brasil, Socorro Gross.
Leitos nos hospitais
Outra preocupação foi com o número de leitos.
Os existentes deverão ser insuficientes diante de um aumento da demanda.
Para além dos dois mil leitos anunciados ontem, o secretário executivo informou que a equipe do órgão analisa alternativas para ampliar a oferta de estruturas como essa para atendimento aos caos.
*com Agência Brasil
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