Mesmo com a pandemia, a Gerdau conseguiu bons resultados no segundo trimestre, e está bastante otimista em relação ao segundo semestre de 2020. O único risco mencionado pela companhia foi em relação a uma possível queda nas vendas do varejo de aço em 2021.
Em teleconferência com analistas, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a retomada da demanda por aço superou as expectativas nos últimos meses.
“Na divulgação de resultados no dia 06 de maio, algumas pessoas se surpreenderam quando dissemos que o pior já tinha passado. Mas de fato, temos sinais claros de que a recuperação estava acontecendo de forma consistente”, afirmou.
“E hoje, estamos muito otimistas com o segundo semestre deste ano.”
Varejo foi destaque, mas isso pode mudar
No mercado brasileiro, um destaque foi o varejo de materiais para construção. Segundo o presidente da Gerdau, as vendas da empresa neste segmento foram as maiores desde março de 2015.
Isso se explica pelos incentivos governamentais dados a uma parte da população em meio à pandemia. “Houve um aumento das reformas em residências em meio à quarentena”, destacou.
Além disso, ele citou entregas recordes de pregos e arames agropecuários, além de acessos crescentes em canais digitais de vendas.
No entanto, o executivo destacou que a demanda do varejo deve cair com o fim dos incentivos governamentais. “Se não ocorrerem reformas estruturantes, a gente pode ter uma redução no consumo em 2021”, disse.
Em sua visão, este segmento é o que contém maiores riscos dentro do portfólio da Gerdau.
Mercado doméstico de aço
Além do varejo, outro setor forte no segundo trimestre foi a construção civil no Brasil. De acordo com o executivo, as construtoras aceleraram os pedidos de aço no segundo trimestre.
Isso elevou a venda de aço para concreto armado em 10% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre de 2020, a alta foi de 27%.
Outro mercado promissor para a Gerdau é o de infraestrutura. Segundo Werneck, as obras seguem com “demanda forte”. Ele citou o segmento de energia, em especial o segmento eólico e de linhas de transmissão.
Além disso, pedidos para construção da Linha Amarela do metrô de São Paulo, para o metrô de Fortaleza e para a nova Ponte Brasil-Paraguai ajudaram a impulsionar as vendas da siderúrgica.
Por outro lado, a indústria brasileira teve uma recuperação mais lenta. Por isso, a empresa trabalhou para capturar oportunidades que surgiram, em segmentos como a linha branca e de molas para colchões.
Aço para máquinas e implementos agrícolas foi outro setor mais positivo, ajudado pelo agronegócio.
Preço do aço em alta
A empresa conseguiu aumentar os preços do aço no mercado doméstico. A companhia já havia anunciado aumento de 8% a 10% no preço dos aços longos, que foram capturados no resultado de julho.
Neste mês de agosto, a empresa está fazendo um novo reajuste de 8%. Segundo o executivo, isso é possível devido à diferença que existe entre o preço do aço nacional e importado.
BTG gostou do balanço da Gerdau
Em relatório, o BTG reiterou a recomendação de compra para a ação da Gerdau. E destacou que a empresa segue como ‘top pick’ dentro do setor siderúrgico.
“A Gerdau entregou resultados sólidos, especialmente quando consideramos as condições adversas”, afirmou o banco.
Para o BTG, foi notável a capacidade da Gerdau gerar um fluxo de caixa livre neste cenário. “Também ficamos positivamente surpresos com o desempenho nas principais unidades de negócios”, destacou o relatório.
Entre os destaques do balanço, o BTG citou as margens Ebitda de 18,6% no Brasil, de 10,5% nos EUA e de 26,2% na América Latina.






