Alô, câmbio! Tudo bem com você?
Depois de ontem, em mais uma Super Quarta-feira dos bancos centrais, as coisas começam a ficar mais claras para os investidores. Até para aqueles para quem a “ficha não havia caído”. Sim, eu nasci na década de 80 meus amigos! rs
Primeiro, o Fed
Por muitos meses, os emissários do Federal Reserve insistiram na tese de que a inflação era temporária. Só faltou definir o que seria este período…
Fato é que, depois de uma emissão massiva de moeda, a não ser que os livros de finanças perdessem a validade, não havia plano B. Teríamos que ter uma alta generalizada de preços, justamente por conta da desvalorização da moeda. Neste caso, o dólar americano.
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Esticando o Balanço
O BC dos EUA possui um balanço com US$ 8 Trilhões (com T, mesmo) de ativos.
O processo, conhecido como quantitative easing, se deu com a compra de títulos do governo e de empresas.
Ao comprar estes bonds, o Fed recebe “papel” e coloca dólares no sistema. E expande a chamada base monetária, gerando (um certo) crescimento econômico e inflação. Agora é hora de desfazer a “arte”…
Câmbio e o quantitative tightening
Quantitative tightening é nada menos que o processo inverso. A autoridade monetária vai vender os títulos, recebendo dólares para isso. Na prática, teremos um “enxugamento monetário” e a tendência é da moeda americana se valorizar. E a inflação, desacelerar. A conferir.
Depois, o Copom
O Comitê de Política Monetária, que já havia largado na frente, subindo a taxa básica de juros, se reuniu mais uma vez.
Com mais uma alta, agora de mais 1%, o Brasil segue como o país que mais subiu as taxas de juros nos últimos 12 meses – em “condições normais de temperatura e pressão”, tirando a Rússia da equação por motivos mais do que óbvios.

Reprodução/EQI
Câmbio: o carrego fica menor
Assim, o carrego, ou diferencial de juros entre Brasil e exterior, diminui. Esta é a principal razão para o câmbio ter voltado a ser negociado acima dos R$ 5 recentemente.
Após as decisões de ontem, vale entender se de fato o BC vai desacelerar as altas e o Fed vai apertar o passo.
O comportamento do real vai depender basicamente das notícias que saírem a respeito destes fatos nas próximas semanas.
Abraços e até semana que vem! Câmbio, desligo.
Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos.
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