SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Copom dovish ou hawkish? Ata sobre aumento da Selic divide mercado

Copom dovish ou hawkish? Ata sobre aumento da Selic divide mercado

Alguns economistas apontaram que o Copom tenha sido agressivo ao justificar a decisão por uma elevação de 0,75 ponto percentual de uma só vez

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) dividiu opiniões. Alguns analistas apontam que o Copom foi mais agressivo na ata desta terça-feira (23) do que no comunicado emitido no dia 17, quando decidiu por uma elevação de 0,75 ponto percentual de uma só vez (de 2% para 2,75%). Já outra parte considera que o posicionamento do comitê foi mais ameno hoje.

Paulo Filipe de Souza, sócio e assessor na EQI Investimentos, disse que a ata surpreendeu o mercado para quem esperava um BC suave. “Na verdade, ela mostrou que o Copom será mais forte e agressivo no combate à inflação. Foi agressivo na alta e na mensagem”, comentou. Ele disse que a previsão é que os juros cheguem ao fim do 2021 em torno de 5% ao ano.

Luis Felipe Laudisio dos Santos, da Corretora Renascença, ao contrário, considera que a ata foi menos agressiva do que o esperado. Principalmente quando se leva em conta que o movimento busca não contaminar o mercado para o ano que vem.

Copom: nova alta para maio

Para a próxima reunião, nos dias 16 e 17 de maio, o Copom adiantou que deverá promover novo aumento na Selic. Na próxima reunião, o comitê poderá pesar a mão novamente, a depender de fatores como o desenrolar da pandemia da Covid-19 e o prolongamento das políticas fiscais, que podem elevar os riscos. “Em última instância a decisão segue dependente de atividade, balanço de riscos e projeções de inflação”, aponta um trecho do relatório.

“O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, informa outro trecho.

Publicidade
Publicidade

Tom continuará forte, mas poderá ter reversão no segundo semestre

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o comitê manteve o tom hawkish adotado no comunicado. Isso é explicado pela elevação de 0,75 ponto percentual da taxa.

“Vale destacar que mesmo nos aspectos que poderiam ser considerados dove (pombo), a autoridade encontrou uma saída hawk (águia). Como por exemplo, no tocante à atividade e à pandemia que, apesar de afetar fortemente o crescimento do primeiro semestre, deverá ter reversão rápida e robusta no segundo semestre”, explica Sanchez.

A figura do pombo é usada no mercado financeiro para ilustrar quando o Banco Central é mais favorável a taxas de juros mais baixas, tendo menos preocupação com a inflação. Já a águia seria o oposto.

“De acordo com o BC, a redução do estímulo se faz prudente, mas não há sinalização para sua remoção. O que significa que o juro deverá permanecer abaixo do neutro com a conjuntura apresentada”, completou o economista-chefe da Ativa Investimentos.

Em outras palavras, de acordo com Sanchez, o BC desenha um cenário hawk para conjuntura, mas implica isso apenas em uma redução do grau de estímulo.

Para ele, segue a previsão de que o Copom deva manter o aumento da Selic em 0,75 ponto na próxima reunião. Em seguida, deverão ocorrer mais duas elevações de 0,5 ponto cada, em sua opinião. Assim, espera-se que a Selic chegue a 4,5% ao ano antes do fim do ano. Tal patamar deverá ser praticado ao longo dos 12 meses seguintes, passando a elevação até 6% apenas no último trimestre de 2022, ele acredita.

Foco deverá ser assegurar inflação na meta para 2022

Em relatório, a casa de análise Exame Invest Pro aponta que o tom adotado pelo Copom foi duro e assim deve permanecer. Mesmo que o isolamento social promova um primeiro semestre mais fraco para a atividade econômica. De acordo com o documento, o Copom dá mais peso para o fluxo das vacinas e para a recuperação prevista para o segundo semestre.

E segue com o viés de alta. Segundo a casa, a Selic deve encerrar 2021 em 5% ao ano. O documento pondera que será fundamental segurar a inflação neste ano. Isto para garantir que ela esteja dentro da meta para o ano que vem.

“Em todos os relatórios de inflação, reafirmamos que a preocupação maior do BC é com a ancoragem das expectativas em 2022”, afirma.

Ata do Copom e reflexo nos juros futuros

Os riscos citados pela ata do Copom já se traduzem na Confiança do Consumidor. A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o índice geral caiu para 9,8 pontos. As expectativas tiveram recuo de 12,3 ponto em março.

E o comunicado do Banco Central também refletiu nos juros futuros nesta terça-feira (23). Na abertura do mercado, a DI para janeiro de 2022 registrava alta de 4,620%. Ontem (22), estava em 4,615%. Já a DI para 2023 abriu a 7,730%, chegando a bater a 7,810%. No ajuste da segunda-feira, chegou a 7,735%.

A DI para janeiro chegou a 8,230%, atingindo a máxima de 8,300%. No dia anterior, chegou a 8,180%. Já a DI para janeiro de 2029, abriu a 8,540%, batendo em seguida na máxima de 8,590%. Isso depois de fechar em 8,520% na última segunda.