O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (23) a ata de sua última reunião, realizada dias 16 e 17 de março.
Como no comunicado divulgado após o evento, o Copom reafirmou a elevação da taxa básica de juros, Selic, de 2% para 2,75%. E afirmou que alta se explica porque, diferentemente das constatações anteriores do comitê, “o cenário atual não prescreve grau de estímulo extraordinário”.
Até aqui, o Copom vinha mantendo a Selic em seu piso histórico baseado no compromisso de manutenção do teto fiscal e da meta da inflação.
Porém, agora, o Copom afirma que, apesar da aprovação de reformas importantes para o País no campo político, os riscos fiscais continuam elevados em função dos gastos decorrentes da pandemia de coronavírus.
Além disso, as projeções para a inflação também passaram a ficar acima da meta no horizonte. O Copom aponta uma projeção para o IPCA, indicador oficial de inflação, de 5% até o final do ano em um cenário básico.
“Por um lado, o agravamento da pandemia pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado. Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, pondera o Copom.
Segundo o comitê, o ajuste da Selic mais rápido mantém a ancoragem das expectativas para prazos longos.
Novo aumento projetado para maio
O comitê reiterou ainda que, na próxima reunião de maio, deve haver reajuste da Selic da mesma proporção, ou seja, mais 0,75 ponto porcentual. Mas salienta que a visão pode ser alterada se houver mudanças significativas no cenário econômico.
“O Comitê avaliou que, para a próxima reunião, seria adequada a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom lembrou que essa visão para a próxima reunião pode ser alterada caso haja uma mudança significativa nas projeções de inflação ou balanço de riscos, já que em última instância a decisão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação”, afirmou.
Cenário externo desafiador para emergentes
Por fim, sobre o cenário externo, o Copom afirma que Com relação ao ambiente internacional, o Comitê avaliou que os avanços na implementação dos programas de imunização contra a Covid-19, os novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos e a comunicação dos bancos centrais das principais economias de que os estímulos monetários terão longa duração devem implicar crescimento econômico robusto durante o ano.
No entanto, o risco de alta da inflação antes da recuperação econômica plena tem causado aumento na volatilidade em alguns mercados. “A evolução desse processo de reprecificação de importantes ativos financeiros pode tornar o ambiente para as economias emergentes mais desafiador”, diz o comitê.






