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Como o risco país afeta os investimentos?

Como o risco país afeta os investimentos?

Na perspectiva do mercado de capitais, o risco-país diz respeito à possibilidade de que mudanças no ambiente de negócios impacte negativamente o valor dos ativos de indivíduos ou empresas.

Assessor da EQI Investimentos, o economista Luiz Moran explica que o risco-país se trata de um conceito econômico-financeiro e tem implicações nos lucros, dividendos ou royalties.

“O risco-país é superimportante porque é parte integrante da taxa de desconto que você usa para calcular o valor de praticamente qualquer ativo financeiro, seja uma ação ou um título de rena fixa”, diz.

Conforme Moran, o risco-país é calculado como parte da medida de risco que se atrela àquele país e à moeda local para poder encontrar o valor de um título e chegar a conclusão do quão atraente é aquele título.

“Assim, em momentos de incerteza, o risco-país tende a aumentar, porque essa dúvida significa um risco maior e, consequentemente, eleva a taxa de desconto e acaba trazendo o valor dos ativos financeiros para baixo”, ressalta.

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Esse efeito torna o risco-país uma parte importante na composição do cálculo, pois esse “indicador” reage com bastante rapidez aos acontecimentos.

“É mais fácil você perceber uma modificação no risco-país, porque ele reage mais rápido, do que perceber uma modificação nos chamados fundamentos dos ativos. Demora muito tempo até se ter certeza do que vai acontecer, ou os efeitos de uma medida numa empresa”, frisa.

PIB

Medir o risco-país

De acordo com o assessor, há dois instrumentos principais para medir o risco-país: o EMBI+Br (Emerging Markets Bond Index Plus) e o CDS (Credit Default Swap). O primeiro é um índice ponderado composto por instrumentos de dívida externa, ativamente negociados e denominados em dólar, de governos de países emergentes.

Já o CDS funciona como um seguro contra eventuais calotes do pagamento de títulos públicos. Por isso, ele funciona como uma medida do Risco-País.

Voltando ao EMBI, vale destacar que seu cálculo corresponde à média ponderada dos prêmios pagos pelos títulos da dívida externa brasileira em comparação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos.

E o Brasil?

Análise da XP Investimentos utilizando o CDS como base mostra que o Brasil atingiu na última semana seu pico mais alto desde agosto de 2018, no período pré-eleitoral, chegando a mais de 300 pontos.

Significa dizer que os investidores estão receosos para aplicar dinheiro no Brasil em relação a como o país será impactado pela atual crise.

Conforme a gestora, em questão de meses esse indicador definhou de forma muito acelerada. Isso porque em dezembro do ano passado o risco-país do Brasil, pelo CDS, havia chegado a menos de 100 pontos, o melhor desempenho desde 2010.

Coronavírus

De acordo com a XP, o impacto do coronavírus ainda não atingiu o mesmo potencial de outros choques que o país já passou. Segundo o gráfico acima, é possível perceber que a crise de 2008 foi a que mais elevou o risco-país e, em segundo lugar, a recessão econômica brasileira entre 2015 e 2016.

“Por enquanto, o impacto da atual crise no Risco-País brasileiro, portanto, ainda não atinge os mesmos níveis de outras crises, apesar de ser considerado alto”, informa.

Risco-País X Rating

Segundo a XP, apesar de estarem relacionados, risco-país e rating são coisas distintas, porém complementares. Assim como empresas são avaliadas para o investidor saber como está a saúde financeira dessas companhias, países também estão sob monitoramento das agências classificadoras de risco.

“Essas instituições são responsáveis também por avaliar o grau risco de crédito soberano de uma nação, mas por notas, em padrões específicos de cada uma.”

Sob o cenário atual, avalia a XP, com a nova crise dos mercados ainda não houve uma atualização do rating soberano do Brasil.

A avaliação da S&P Global é a mais recente, do fim de 2019, classificando o país como BB-. Essa nota representa a ideia de que o país ainda não está em grau de investimento, mas, sim, especulativo. Isto é, o Brasil não é considerado um bom pagador referente às suas dívidas.

No entanto, pondera a XP, naquela data a agência colocou o país sob perspectiva positiva, indicando que a nota poderia ser elevada dentro de dois anos em caso de melhora da saúde fiscal e do crescimento da economia.

“Considerando o atual panorama, assim como houve aumento significativo do risco-país brasileiro nas últimas semanas, a probabilidade de uma elevação do rating diminui, a depender de como a economia reagirá aos impactos, principalmente, do coronavírus”, conlui.