Café
Home
Notícias
Câmara mantém veto ao reajuste de servidores públicos até 2021

Câmara mantém veto ao reajuste de servidores públicos até 2021

Senadores votaram pela rejeição do veto do presidente Jair Bolsonaro por 42 votos a 30. Câmara manteve a proibição de reajustes até 31 de dezembro de 2021.

A Câmara dos Deputados reverteu, nesta quinta (20), decisão do Senado e manteve o veto ao reajuste e a proibição de reajustes e progressão funcional até 31 de dezembro de 2021 a servidores públicos.

A medida abrange também categorias de servidores que atuam na linha de frente no combate ao novo coronavírus, como trabalhadores da educação, saúde e segurança pública, servidores de carreiras periciais, profissionais de limpeza urbana e de serviços funerários.

Trecho do texto que tramitou no Congresso incluía reajuste e gratificações a esses profissionais — mas, com o veto mantido, não serão permitidos aumento salarial e as remunerações.

Ficam de fora da restrição os aumentos aprovados antes do estado de calamidade pública, como o concedido aos militares das Forças Armadas pela Lei 13.954/19.

O texto não previa reajuste automático, mas autorizava estados e municípios a fazê-lo com recursos próprios.

Publicidade
Publicidade

Aumente seus ganhos. Consulte nossa Planilha de Monitoramento de Carteira

Ontem, os senadores votaram pela rejeição do veto do presidente Jair Bolsonaro por 42 votos a 30.

No entanto, um veto só é derrubado se houver maioria absoluta em ambas as Casas.

Na Câmara, foram 165 votos contra o veto e 316 a favor.

Suspensão de reajustes exigida pelo Executivo

A suspensão de reajustes até 2021 foi exigida pelo Executivo na tramitação do Projeto de Lei Complementar 39/20 em troca do socorro financeiro de R$ 125 bilhões aos estados e municípios em razão da pandemia de Covid-19.

Desse total, R$ 60 bilhões são em dinheiro novo e o restante na forma de adiamento de dívidas com a União.

Ao aprovar o pacote de ajuda a estados e municípios, disciplinado na Lei Complementar 173/20, o Congresso inicialmente autorizou governos locais a reajustar salários de funcionários da saúde e da segurança pública que trabalham na linha de frente do enfrentamento à Covid-19.

Quais os melhores investimentos para 2020? Conheça nossas sugestões aqui

Esse dispositivo foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo se mobilizou para reverter o resultado do Senado.

A derrubada do veto no Senado foi considerado, pelo ministro da Economia Paulo Guedes, como um “desastre, um crime contra o país”.

O trecho vetado também liberava a possibilidade de reajustes para algumas categorias de outras áreas, como profissionais de assistência social e de educação pública, desde que estejam diretamente envolvidos no combate à pandemia.

O dispositivo vetado diz que fica proibido o uso dos recursos transferidos pela União na lei de socorro aos estados e municípios “para concessão de aumento de remuneração de pessoal”.

Líderes e articuladores do governo no Congresso se mobilizaram para manter o veto.

“Impossível de governar”

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta quinta-feira (20) que, se a derrubada do veto ao reajuste dos servidores federais fosse mantida pela Câmara, “será impossível governar o Brasil”.

O presidente citou o prejuízo de R$ 120 bilhões ao país que a medida poderia acarretar.

A apoiadores, na saída do Palácio do Alvorada, ele acrescentou que “é de todo mundo a responsabilidade de ajudar o Brasil a sair do buraco”, de acordo com a Agência Brasil.

O Senado derrubou na tarde de ontem (19), por 42 votos a 30, o veto do governo que impede a concessão de reajustes a servidores públicos até o final do ano que vem.

Desta forma, algumas categorias do funcionalismo podem ter direito a aumentos de salários.

Câmara: Maia festeja decisão

O presidente da casa, Rodrigo Maia, festejou o resultado: “Resgatamos princípio de proteger gasto público.”

Maia tinha adiantado, nesta manhã, que os parlamentares deveriam manter o veto presidencial.

“O mais importante para o país é a manutenção do veto e vamos trabalhar por ele na tarde de hoje (quinta-feira)”.

Ele atribuiu a vitória da manutenção do veto do reajuste aos servidores à Câmara

“Sem tirar a importância do governo, foram os líderes que construíram a solução”, disse ele.

Maia concedeu entrevista coletiva após reunião de líderes para articular a votação da manutenção do veto na sessão do Congresso Nacional desta quinta-feira (20).

“A reunião de hoje mostrou a nossa responsabilidade com o País, com partidos da base e independentes, todos eles trabalhando e votando junto nesse caminho do equilíbrio fiscal e respeito ao controle de gastos”, afirmou.

“Se temos uma taxa de juros baixa devemos tudo o que o Parlamento fez junto aos dois governos [Temer e Bolsonaro]”, destacou Maia.

Merecimento

Para sustentar a derrubada do veto, o entendimento do Senado foi de que setores que prestam serviços essenciais no combate direto à pandemia teriam de ficar de fora, por um critério de ‘merecimento’, ignorando por completo a gravidade da crise econômica.

Na avaliação de Bolsonaro, as exceções que autorizam o reajuste “violam o interesse público”, pois reduziria a economia obtida com a sua suspensão.

Contrapartida descumprida

A questão central é que o controle de gastos foi a contrapartida aceita pela equipe econômica para socorrer estados e municípios com R$ 60 bilhões, em razão da Covid-19, acordo político quebrado, até agora, apenas pelo Senado.

Dentro do controle de gastos proposto pelo governo, estariam incluídos o congelamento dos salários (até o fim de 2021); suspensão de concursos públicos (federais) – exceto aqueles ligados à reposição de pessoal – e a criação de despesas obrigatórias de caráter continuado.

*Com Agência Câmara
**Com Agência Brasil