Relatório do BTG Pactual (BPAC11) projeta que março será marcado pelo início do ciclo de alta na taxa de juros dos Estados Unidos. Para a reunião do FOMC desta semana, o banco prevê uma elevação de 0,25 ponto nos juros norte-americanos. Para o fim do ano, o aumento poderá ser de 1,75 ponto.
O banco reforça que desde o início do ano que os próximos meses serão dominados por esse tema. Sobretudo com a revisão das projeções do Federal Reserve (Fed) mostrando elevação das expectativas de inflação em 2022, para próximo de 4%; e para 2023, acompanhado de um ciclo de juro mais intenso – principalmente na taxa terminal. Que deve ficar entre 2,5% e 3,0%, em patamar contracionista.
“Tais expectativas ficaram mais voláteis na margem, reflexo do pivot dado pela autoridade monetária, que adotou um tom mais hawkish na avaliação de cenário, mas também pelo avanço do petróleo e outras pressões de preço”, informou trecho do relatório.
BTG (BPAC11): mercado de trabalho robusto
O banco analisou o cenário do consumo e do mercado de trabalho norte-americano. O primeiro foi considerado. Enquanto isso, o segundo foi considerado robusto.
Sobre o mercado trabalho, o BTG lembra que o payroll médio do primeiro bimestre de 2022 atingiu 580 mil vagas de trabalho, quase três vezes acima da média da última década pré-pandemia, que foi de 195 mil entre 2011 e 2019. Ficando então apenas 1,4% abaixo do nível anterior à pandemia do covid-19.
O relatório apontou ainda que a qualificação de um mercado de trabalho “robusto e apertado” por parte dos membros do Fed reflete a percepção de uma economia num ciclo mais aquecido, de menor duração e que já demanda ajuste de juro.
“Isso fica ainda mais claro com a elevada taxa de abertura de vagas registrada pelo Jolts (7,0%), embora boa parcela ainda não tenha sido preenchida, o que tem promovido forte aceleração dos salários (+5,8% dentre aqueles que trocaram de emprego, conforme o Wage Tracker do Fed Atlanta)”, aponta trecho do documento.
Para o BTG e difícil pensar num cenário de recessão no curto prazo, com vultuoso processo de abertura de vagas.
Consumo elevado
Com relação ao consumo, o que é voltado para bens segue significativamente em patamar elevado, tendo uma elevação de 10,8% do que seria a tendência pré-pandemia. Isto está em linha com a rotação da cesta dos americanos para um menor volume de serviços.
“O que tem, inclusive, motivado uma pressão adicional na cadeia de bens industriais e, em última instância, ajudado a sustentar a demanda e os preços das commodities”, diz outro trecho do documento.
Para o banco, o nível de consumo deve ser afetado após uma normalização do excesso de renda. O que seria um reflexo do fim dos cheques semanais e mensais (o último em dezembro, envolvendo os US$ 15/bi de Child Credit Tax). Tal fato promoveu um ajuste forte da poupança pessoal – que já retornou ao 6,4%, abaixo dos 8% no pré-covid.
Inflação disseminada
O documento lembra ainda ainda que a inflação ao consumidor atingiu 7,9% nos doze meses encerrados em fevereiro. Com caráter disseminado entre
os componentes voláteis e o núcleo de inflação, este último avançando 6,4% no período.
Dentre os itens, a natural pressão dos preços de combustíveis, com elevação de 38%, tem gerado 1,51 ponto do choque. Porém, o banco chama a atenção para a trajetória de itens que são usualmente menos voláteis e com menor influência do novo choque de energia.
Nesse sentido, a forte aceleração dos carros novos (+12%) e usados (crescimento de 41%), que representam 8% do total da cesta de inflação, bem como a recomposição dos preços do setor de habitação (33% da cesta, com 4,7% em 12 meses) são citados pelo BTG como os principais vetores de risco para a continuidade da desancoragem da inflação no médio prazo.
Guerra na Ucrânia
Além disso, há ainda o conflito na Ucrânia. A guerra no leste europeu aumentou o nível de incerteza sobre o cenário prospectivo, promovendo um forte choque na cadeia de energia, de soft commodities e de alguns metais.
“Nesse sentido, a pressão na inflação e nos custos é intensa, mas promovendo um choque que usualmente os bancos centrais têm menos poder de
controle – sobretudo pelo fato gerador ser uma crise geopolítica”, aponta trecho do relatório.
Desta forma, segundo o BTG, há uma preocupação com a destruição de demanda e consumo à frente. O que pode promover uma desaceleração mais intensa da economia global e, portanto, reduzindo a necessidade de um ciclo de alta de juros mais intenso, como se precificava até meados de fevereiro.





