Os analistas do BTG (BPAC11) participaram de um encontro com a alta administração da Gol (GOLL3) em que a empresa atualizou sobre as expectativas de mercado da empresa e suas iniciativas.
Os principais tópicos abordados incluem: evolução da frota e rede da Gol ao longo do segundo semestre de 2021 e suas expectativas para 2022; o ambiente competitivo no qual a indústria se remodela e sai da crise; as perspectivas para suas operações de carga aérea; o compromisso da empresa com ESG; e o progresso em suas iniciativas de TI.
Em suma, a gestão deu uma mensagem construtiva de recuperação ao mercado, conforme a campanha de vacinação se desenrola, o que está de acordo com a posição da Azul e com o que está sendo notado nos Estados Unidos, diz o BTG.
O plano de frota e rede da Gol para o segundo semestre permanece alinhado com o guidance previamente divulgado para o período, refletindo uma recuperação gradual, embora 2021 ainda deva ser um ano tímido depois de ser atingido pela segunda onda da Covid no início do ano.
“No geral, embora esperemos que o setor de aviação civil do Brasil permaneça volátil no semestre dada a incerteza em torno de outro pico nos casos da Covid, vemos a Gol tomando passos necessários para minimizar sua queima de caixa e se preparar para decolar novamente uma vez que a campanha de vacinação começou”, diz o BTG.
Abaixo, estão as principais discussões durante o encontro com a Gol:
1) Evolução da frota e rede
No 2S21, a Gol prevê aumento de frequências e retomada de operações domésticas e regionais. Espera operar em 159 mercados (vs. 114 durante o 2T21; em linha com o 4T20 e o 1T21).
A recuperação esperada no segundo semestre é principalmente impulsionada pelo progresso recente na campanha de vacinação e a desaceleração resultante em casos de Covid no Brasil.
“Em relação ao plano de frota, a Gol planeja fechar o ano com 129 aeronaves (vs. 127 do último ano), dos quais 110 deveriam estar em operação (vs. 91 no ano passado).
Com relação às viagens de negócios, a empresa espera atingir 30-40% dos níveis de 2019 em 2021, pressupondo-se a conclusão da segunda dose da campanha de vacinação até o 4T21. Em 2022, a Gol vê a demanda atingindo 80-100% dos níveis de 2019, assumindo uma recuperação total no 1T22. Para 2023, prevê 100-120% dos níveis de 2019 para o tráfego de negócios.
2) Potenciais parcerias e recém-chegados
Sobre possíveis parcerias, a Gol comentou que está aberta a conversas com outras operadoras. A administração destacou que tem mais de 73 acordos com outras companhias aéreas em diversos formatos (acordos de codeshare e interline, entre outros).
Daqui para frente, a Gol prevê tendência de alta nas parcerias do setor, principalmente na medida em que empresas buscam emergir da crise, melhorar as condições de mercado e aumentar os resultados.
A Gol reconheceu que tem havido interesse de outros players em entrar no mercado brasileiro, mas alguns adiaram suas decisões devido aos impactos da pandemia no setor.
3) Perspectiva Financeira
A administração sinalizou que R$ 500 milhões em CAPEX deverão ser implantados em todo o ano para serem usados, principalmente, para investir em aeronaves de acréscimo de margem.
Assim, a empresa espera fechar o ano com 18 aeronaves MAX (14% da frota total), contra 7 no ano passado (6% da frota total).
Em relação ao cronograma de amortização da dívida (excluindo linhas de refinanciamento), o maior compromisso está previsto apenas para 2024 (R$ 425 milhões) e é uma fração de sua posição de liquidez total no final do 1T (R $ 4 bilhões).
4) Gollog
A administração espera que oportunidades interessantes surjam da unidade de negócios de carga da Gol, a Gollog. A empresa está focada em encontrar alternativas para expandir sua rede a fim de aproveitar o boom do e-commerce no país.
Enquanto isso, está aumentando sua oferta de multimodalidade por meio de acordos com terceiros, agregando mais armazenamento capacidade e criando seu próprio mercado. A gestão vê espaço para dobrar as receitas nos próximos dois anos.
5) Smiles
A Gol concluiu ontem a incorporação formal da Smiles. Foi um marco importante para a empresa em melhorar seus rendimentos e estratégia de preços, bem como gerar sinergias fiscais significativas.
O negócio deve gerar R$ 400 milhões de economia no ano para a Gol.
6) ESG e TI
A Gol reforçou seu compromisso ESG, destacando seu compromisso de gradualmente reduzir suas emissões de GEE renovando sua frota e usando combustível de aviação sustentável até tornar-se zero em 2050.
A Gol lançou luz sobre o ritmo acelerado de implementação de tecnologia nas operações do seu dia a dia, tendo melhorado a precisão dos seus modelos de previsão em 65%.






