Na quinta-feira, governo do Amapá fará leilão para privatizar as operações de água e esgoto de 16 de seus municípios, incluindo a capital Macapá, abrangendo 90% da população do Estado (722 mil pessoas). Segundo o BTG Pactual (BPAC11), os olhares estão voltados para a Equatorial (EQTL3), que deve participar da concorrência.
A concessão de 35 anos vai demandar investimentos totais de R$ 3 bilhões – com quase a metade implantada nos primeiros 7 anos – onde o objetivo principal é melhorar a penetração de água e esgoto no estado.
Apenas 38% da população têm acesso adequado hoje à água, enquanto coleta de esgoto atinge apenas 7% da população.
A nova concessionária terá como meta garantir o acesso universal à água nos próximos 11 anos, e terá 18 anos para alcançar uma penetração de 90% na coleta de esgoto.
Detalhes do leilão
A nova concessionária também herdará uma concessão com perdas de 71% e índices de inadimplência de 46%. O modelo financeiro divulgado pelo BNDES pressupõe à nova operadora reduzir as perdas para 30% nos próximos 9 anos e espera que a inadimplência cairá para 16% em 10 anos.
O leilão estabeleceu concessão mínima de pagamento de R$ 50 milhões, que será dividido entre os municípios.
O lance vencedor resultará de uma combinação de um desconto nas tarifas atuais e um prêmio sobre o pagamento mínimo da concessão.
Os participantes podem oferecer descontos tarifários limitados a 20%.
Se não houver mais de dois players oferecendo o desconto máximo de 20%, o vencedor será aquele que oferecer o maior desconto.
Mas se houver mais players oferecendo o desconto máximo, o desempate será o maior pagamento de concessão ofertado.
Curiosamente, o pagamento em excesso será convertido em investimentos adicionais dentro e fora da área de concessão (sem receitas associadas).
Eficiência pode aumentar os retornos, mas também aumentar a concorrência
Assumindo as variáveis das atas do leilão e sem desconto tarifário, conceder prêmios ou ganhos de eficiência, a TIR real desalavancada do leilão é de 8,2%, diz o BTG.
Contudo, assumindo uma alavancagem de 70% dos primeiros 10 anos de capex, com uma amortização de 20 anos a um custo de IPCA + 4,5% e uma redução de impostos SUDAM de 10 anos, o BTG chegou a um TIR real implícito de 11,8%, ou VPL de R$ 273 milhões.
Operadores eficientes podem extrair mais retornos da concessão, o que acabaria por levar a mais competição no leilão.
Todos os olhos na Equatorial
A Equatorial (EQTL3) participou nos últimos leilões de saneamento (Casal, Cariacica e Cedae), mas foi superado por players tradicionais do setor como BRK, Aegea e Iguá.
Investidores acreditam que, como estes players têm muito em suas mãos, eles deverão agora ser menos agressivos, beneficiando a Equatorial, especialmente porque agora é a operadora da Companhia Elétrica do Amapá (CEA). Mas os players acima mencionados (e outros) ainda são esperados para participar do leilão.