A bolsa de valores recuou 0,18% nesta quarta-feira (31), fazendo o índice fechar o mês de março no positivo em 5,99%, a 116.633,72 pontos. É o primeiro mês positivo do ano. Janeiro fechou com menos 3,32% e fevereiro, com queda de 4,37%.
Ao mesmo tempo, é o pior mês da pandemia desde que ela atingiu o país. há um ano. E é a pandemia que tem impedido a bolsa de avançar. Isso porque a crise sanitária e humanitária tem forçado os governadores e prefeitos, na falta de ação federal, a gerenciar o problema da forma que acham melhor, e isso impede que a economia deslanche.
O ambiente político não tem contribuído. No dia em que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou oficialmente a nova rodada de auxílio-desemprego, o presidente da República falou mais uma vez contra as medidas de isolamento social, ferramenta mais eficaz para prevenir o alastramento do vírus que causa a Covid-19, doença que já matou mais de 320 mil brasileiros e quase 3 milhões de pessoas em todo o mundo, sem contar a subnotificação, especialmente em países com baixo grau de desenvolvimento.
Além disso, o Instituto Butantan e o estado de São Paulo informaram que foi descoberta uma nova cepa do SARS-Cov2 em Sorocaba, parecida com a da África do Sul, o que definitivamente não é uma boa notícia.
E ainda há preocupações com o Orçamento 2021 aprovado semana passada pelo Congresso Nacional. O governo precisa diminuir os bilhões fura-teto e começaram as observações de vetos presidenciais.
Em Nova York, os índices mais importante da bolsa subiram, com o presidente de lá, Joe Biden, detalhando mais um pacote de estímulo à economia, dessa vez à infraestrutura, na casa dos US$ 3 trilhões – dinheiro público.
Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 115.932,42 pontos (-0,78%); e na máxima, 117.248,51 pontos (+0,34%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 32,122 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (29): +0,56% (115.418,72 pontos)
- terça-feira (30): +1,24% (116.849,69 pontos)
- quarta-feira (31): -0,18% (116.633,72 pontos)
- semana: +1,61%
- janeiro: -3,32%
- fevereiro: -4,37%
- março: +5,99%
- 2021: -2,00%
Dólar
O dólar despencou nesta quarta. A moeda norte-americana perdeu 2,31%, valendo R$ 5,6286.
- segunda-feira (29): +0,44% a R$ 5,7663
- terça-feira (30): -0,08% a R$ 5,7619
- quarta-feira (31): -2,31% a R$ 5,6286
- semana : -1,95% a R$ 5,6286
- fechamento março: +0,76% a R$ 5,6286
Euro
- segunda-feira (29): +0,15% a R$ 6,7983
- terça-feira (30): -0,50% a R$ 6,7642
- quarta-feira (31): -2,44% a R$ 6,5988
- semana: -2,79% a R$ 6,5988
Bolsa em Nova York e cenário mundial
As ações dos EUA subiram, com os investidores avaliando positivamente o impacto potencial do plano de gastos com infraestrutura do presidente Joe Biden, na casa dos US$ 3 trilhões.
Somado ao recentemente aprovado pacote de US$ 1,9 trilhão de estímulo à economia, o governo federal dos Estados Unidos vai injetar quase US$ 5 trilhões na roda econômica.
Quarta-feira marca o final de março, bem como o final do trimestre. Os investidores estão se preparando para negociações voláteis à medida que os fundos de pensão e outros grandes investidores reequilibram suas carteiras.
“O estímulo econômico não é mais 100% virtuoso aos olhos do mercado”, disse Tom Essaye, fundador do Sevens Report, em uma nota que a CNBC divulgou. “Isso porque trará consigo 1) rendimentos mais altos, 2) expectativas de inflação em alta e 3) erosão da ideia de que o Fed ficará em espera durante todo o ano de 2021. Além disso, todo esse estímulo está sendo usado para inaugurar aumentos de impostos sobre pessoas físicas, jurídicas e investimentos”.
A pesquisa ADP/Moodys’s, considerada uma prévia do payroll, folha de pagamentos oficial norte-americana, apontou a criação de 517 mil vagas em março. O número revela forte recuperação do mercado de trabalho ante fevereiro, quando foram criadas 176 mil vagas no setor privado – revisadas das 117 mil anunciadas anteriormente.
Mas, ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava a abertura de 550 mil postos de trabalho.
O maior número de vagas veio do setor de serviços, com 437 mil postos. A indústria adicionou 80 mil vagas. As empresas de médio porte abriram 188 mil postos. As pequenas, 174 mil. E as grandes, 155 mil.
Os investidores aguardam agora o relatório oficial de empregos de março na sexta-feira para avaliar o estado da recuperação do mercado de trabalho. Economistas esperam que 630 mil empregos tenham sido criados em março, e a taxa de desemprego caiu de 6,2% para 6%, de acordo com a Dow Jones.
Na Europa, a inflação da zona do euro saltou para 1,3% em março, de 0,9% em fevereiro, de acordo com uma estimativa rápida do Eurostat. Economistas e banqueiros centrais esperavam o aumento no crescimento dos preços ao consumidor, mas observaram de perto a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, desacelerou inesperadamente em março.
Já o desemprego alemão caiu em março, segundo dados oficiais do governo. O número total de pessoas desempregadas em termos ajustados sazonalmente diminuiu em 8 mil para 2,745 milhões, apesar das medidas de bloqueio prolongadas em vigor, uma vez que o ressurgimento da Covid-19 perturba a maior economia da Europa.
Nova York (quarta-feira)
- S&P: +0,36%
- Nasdaq: +1,54%
- Dow Jones: -0,26%
Nova York (março)
- S&P: +4,25%
- Nasdaq: +0,41%
- Dow Jones: +6,62%
Europa (quarta-feira)
- Euro Stoxx 600 (Europa): -0,18%
- DAX (Alemanha): -0,07%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,86%
- CAC (França): -0,34%
- IBEX 35 (Espanha): -0,18%
- FTSE MIB (Itália): +0,05%
Europa (março)
- Euro Stoxx 600 (Europa): +7,78%
- DAX (Alemanha): +8,79%
- FTSE 100 (Reino Unido): +3,55%
- CAC (França): +6,38%
- IBEX 35 (Espanha): +4,32%
- FTSE MIB (Itália): +7,88%
Ásia e Oceania (quarta-feira)
- Shanghai (China): -0,43%
- SZSE Component (China): -0,79%
- China A50 (China): -1,23%
- DJ Shanghai (China): -0,68%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,72%
- SET (Tailândia): -0,15%
- Nikkei (Japão): -0,86%
- ASX 200 (Austrália): +0,78%
- Kospi (Coreia do Sul): +0,28%
Ásia e Oceania (março)
- Shanghai (China): -1,91%
- SZSE Component (China): -5,02%
- China A50 (China): -5,73%
- DJ Shanghai (China): -3,11%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -2,10%
- SET (Tailândia): +6,04%
- Nikkei (Japão): +0,73%
- ASX 200 (Austrália): +1,76%
- Kospi (Coreia do Sul): +1,61%
Brasil: ambiente político e econômico
Não há jeito de fazer Bolsonaro se alinhar com as lógicas científicas. Na primeira reunião do comitê de combate à pandemia, o presidente mais uma vez falou contra o isolamento social e divergiu do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que participaram do encontro.
“O apelo que a gente faz aqui é que políticas de lockdown sejam revistas, isso cabe na ponta da linha aos governadores e prefeitos, porque só assim nós podemos voltar à normalidade”, afirmou Bolsonaro. “A população quer trabalhar, nenhuma nação se sustenta por muito tempo com esse tipo de politica. Nós queremos voltar à normalidade o mais rápido possível, buscando medidas para combater pandemia, como temos feito com as vacinas”.
De fato, todos querem “voltar à normalidade”, mas tem sido bastante difícil com o país contando mais de 3 mil mortos diariamente.
Pacheco esclareceu o tamanho da encrenca que o discurso divergente de Bolsonaro causa: “é muito importante a comunicação, que haja um alinhamento da comunicação social do governo, da assessoria de imprensa da Presidência da República, no sentido de haver uma uniformização do discurso, de que é necessário se vacinar, usar máscara, higienizar as mãos, necessário o distanciamento social de modo a prevenirmos o aumento da doença no nosso país”.
Queiroga também tem visão diferente do chefe: “no feriado (de Páscoa) não pode haver aglomerações desnecessárias. É importante usar máscara, ficar em casa e manter o isolamento. É importante fazer isso. Medidas extremas não são desejadas. Então vamos cumprir isso”.
Em seu discurso durante o anúncio da nova rodada de auxílio-emergencial, Bolsonaro mais uma vez insistiu: “não é ficando em casa que vamos solucionar o problema”.
Bolsonaro: "Não é ficando em casa que vamos solucionar o problema" pic.twitter.com/x7V2aC7nSN
— UOL Notícias (@UOLNoticias) March 31, 2021
Um dos maiores problemas dos integrantes do comitê recentemente criado pelo governo para o combate à pandemia é justamente a unificação dos discursos, para fazer com que as pessoas tomem noção da gravidade da situação. Quanto mais tempo demora-se para diminuir o avanço do vírus, mais tempo se faz necessário manter a economia com restrições.
E tem a questão do Orçamento 2021. O relator da peça, senador Marcio Bittar (MDB-AC), comunicou a Bolsonaro que vai cancelar R$ 10 bilhões aprovadas. Ele espera apenas a sanção do presidente. Há um impasse de cerca de R$ 35 bilhões furando o Teto de Gastos.
O problema está tão agudo que o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, alertou o presidente sobre o risco de sancionar a peça como foi aprovada pelo Congresso. Guedes disse que a sanção pode levar inclusive ao impeachment, que é palavra que causa calafrios no mandatário.
Isso porque desrespeitaria a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Há, entretanto, uma boa notícia. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje o uso emergencial da vacina da Janssen no Brasil, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.
Esta é a quinta vacina já aprovada pela Anvisa. A CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, tem uso emergencial também. Já as da Pfizer e do consórcio AstraZeneca e Universidade de Oxford receberam registro definitivo. A da AstraZeneca tem dois registros aprovados: a de lotes importados da Índia e a de lotes fabricados no Brasil.
A diferença de todas essas é que a da Janssen é uma vacina em dose única, o que pode acelerar o processo de imunização.
Partindo para os dados, a prévia da carga tributária (peso dos impostos e demais tributos sobre a economia) caiu para 31,64% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, divulgou o Tesouro Nacional.
Em 2019, o mesmo indicador tinha atingido 32,51%, diferença de 0,87 ponto percentual.
Segundo o Tesouro, dois fatores pesaram para a diminuição da carga tributária. O primeiro foi a contração da atividade econômica decorrente da pandemia de covid-19. Com a queda na produção e no consumo, menos pessoas pagam impostos. Isso pode ser explicado pelo recuo de 0,55 ponto percentual do PIB na arrecadação de tributos sobre bens e serviços.
O segundo fator foi a isenção de vários tributos durante a pandemia. Somente a redução a zero do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o crédito, que vigorou de abril a dezembro do ano passado, respondeu por uma redução de 0,26 ponto percentual do PIB.
Em fevereiro de 2021, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 11,8 bilhões, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (31) pelo Banco Central.
O resultado veio melhor do que o aguardado pelo mercado, que era de déficit de R$ 20 bilhões.
Na área do emprego, os desempregados no Brasil somam 14,3 milhões no trimestre encerrado em janeiro, informa a Pnad Contínua do IBGE. A taxa de desocupação ficou estável em 14,2%, mas ainda assim é a mais alta já registrada para o período.
O contingente de pessoas ocupadas aumentou 2% e chegou a 86 milhões. O que representa 1,7 milhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro.
Com tudo isso, o Índice de Confiança Empresarial, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve recuo de 5,6 pontos em março, chegando a 85,5 pontos. Este é o menor nível desde julho de 2020.
Com o resultado, a média do primeiro trimestre de 2021 terminou 6,1 pontos abaixo da média do trimestre anterior.
Bolsa: ações
Das 81 ações negociadas na bolsa, 32 subiram e as outras 49 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 97,97 (+0,93%)
- Petrobras (PETR4): R$ 24,10 (+1,13%)
- Suzano (SUZB3): R$ 68,55 (-2,93%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 26,77 (-2,16%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,97 (-1,93%)
Maiores altas
- Equatorial (EQTL3): R$ 24,80 (+8,39%)
- CCR (CCRO3): R$ 12,92 (+6,34%)
- Cielo (CIEL3): R$ 3,72 (+3,91%)
- Eletrobras (ELET3): R$ 34,27 (+3,38%)
- Cogna (COGN3): R$ 3,98 (+3,11%)
Maiores baixas
- Yduqs (YDUQ3): R$ 26,71 (-4,74%)
- Gol (GOLL4): R$ 21,51 (-3,67%)
- Lojas Renner (LREN3): R$ 42,59 (-3,03%)
- Azul (AZUL4): R$ 37,85 (-2,97%)
- Suzano (SUZB3): R$ 68,55 (-2,93%)
Maiores altas de março
- Taesa (TAEE11): R$ 38,92 (+27,40%)
- Braskem (BRKM5): R$ 39,69 (+26,97%)
- Marfrig (MRFG3): R$ 17,61 (+26,69%)
- Multiplan (MULT3): R$ 24,49 (+24,44%)
- Equatorial (EQTL3): R$ 24,80 (+23,38%)
Maiores baixas de março
- Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 33,18 (-51,42%)
- B2W (BTOW3): R$ 60,75 (-25,91%)
- Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,24 (-16,29%)
- Yduqs (YDUQ3): R$ 26,71 (-11,32%)
- Lojas Americanas (LAME4): R$ 22,36 (-10,24%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -0,09% (quarta-feira) | +6,04% (março) (50.014,20 pontos)
- IBrX 50: +0,04% (quarta-feira) | +6,08% (março) (19.409,95 pontos)
- IBrA: -0,06% (quarta-feira) | +5,95% (março) (4.709,47 pontos)
- SMLL: -0,32% (quarta-feira) | +4,56% (março) (2.797,50 pontos)
- IFIX: +0,53% (quarta-feira) | -1,38% (março) (2.846,77 pontos)
- BDRX: -1,23% (quarta-feira) | +3,08% (março) (13.082,18 pontos)
Commodities
- Brent (para junho): US$ 62,74 (-2,29%)
- WTI (para maio): US$ 59,16 (-2,28%)
- Ouro (junho): US$ 1.715,60 (+1,70%)
Com Wisir Research, BDM e CNBC






