As vendas de passagens não são as únicas responsáveis pelas fontes de rendas das companhias aéreas brasileiras. Movimento que tem ganhado destaque nos últimos anos, o faturamento com outros serviços, como marcação de lugares e bagagens já representam 21,5% da receita de Azul (AZUL4), GOL (GOLL4) e Latam. As informações são do UOL.
Do total de R$ 19,5 bilhões da receita total de Azul, Gol e a operação nacional da Latam em 2020, R$ 15,3 bilhões foram com o transporte de passageiros.
O restante, segundo reportagem do UOL, inclui itens como despacho de bagagem, marcação de assentos, serviço de bordo, penalidade, carga e mala postal (correspondências e outras encomendas). O total chegou a R$ 4,2 bilhões em 2020. Ou seja, 21,5% da receita em média.
Mas a maior parte mesmo tem a ver com carga e mala postal, correspondendo até 13% do total. Já a receita com cobrança de bagagens é de 3% na média.
De acordo com demonstrações contábeis das companhias divulgadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as receitas auxiliares são as compostas pela venda de alimentos e bebidas, serviços multimídia, marcação de assentos, acompanhamento de passageiro, serviços de assistência médica, transporte de animais, etc.
Quanto cada companhia aérea teve de receita com o transporte aéreo em cada segmento em 2020:
Gol (GOLL4)
Passageiros – R$ 5,2 bilhões (86% da receita total com serviços aéreos)
Carga e mala postal – R$ 316,3 milhões (5,2%)
Penalidades – R$ 252,7 milhões (4,2%)
Bagagem – R$ 164,1 milhões (2,7%)
Marcação de assentos – R$ 64 milhões (1%)
Demais receitas auxiliares – R$ 40,8 milhões (0,7%)
Outras receitas – R$ 10,6 milhões (0,2%)
Total – R$ 6,1 bilhões (100%)
Azul (AZUL4)
Passageiros – R$ 4,7 bilhões (79,5% da receita total com serviços aéreos)
Carga e mala postal – R$ 747,9 milhões (12,6%)
Penalidades – R$ 219,7 milhões (3,7%)
Bagagem – R$ 146,8 milhões (2,5%)
Marcação de assentos – R$ 57,3 milhões (1%)
Demais receitas auxiliares – R$ 43,7 milhões (0,7%)
Total – R$ 5,9 bilhões (100%)
Latam (Brasil)
Passageiros – R$ 5,3 bilhões (71,8% da receita total com serviços aéreos)
Carga e mala postal – R$ 822 milhões (11,1%)
Outras receitas – R$ 703,5 milhões (9,5%)
Penalidades – R$ 253,3 milhões (3,4%)
Bagagem – R$ 209,1 milhões (2,8%)
Marcação de assentos – R$ 61,2 milhões (0,8%)
Demais receitas auxiliares – R$ 46,2 milhões (0,6%)
Total – R$ 7,4 bilhões
Operação de carga também é relevante
Outro serviço relevante é a operação de carga que também representa importante fonte de receita para as companhias aéreas. Seja a operação com aviões cargueiros exclusivos ou as cargas despachadas nos porões dos aviões de passageiros, o valor é bilionário.
A Azul Cargo, divisão de carga da Azul, por exemplo, incrementou a receita em 38,4% em 2020 no comparativo com 2019, totalizando R$ 764,1 milhões.
Já o grupo Latam (operação brasileira mais a de outros países) teve só com operação de carga 28% da receita de 2020. Já o transporte de passageiros ficou com 68% do total.
Nos EUA percentual chega a 47%
Estudo da consultoria IdeaWorksCompany, em parceria com a empresa de tecnologia CarTrawler, mostra que em 2019 Azul e Gol obtiveram, juntas, R$ 4,92 bilhões só com as receitas que não fossem a venda de passagem, sendo R$ 2,56 bi e R$ 2,36 bi, respectivamente. Isso representa 22,4% e 17% do faturamento de cada uma, que foi de R$ 11,44 bilhões e R$ 13,86 bilhões.
As rendas auxiliares consideradas pela consultoria são aquelas que fogem à venda do transporte do passageiro no avião de forma direta.
Essas receitas vêm ganhando espaço com o passar dos anos. Nos EUA, por exemplo, as empresas Spirit e Allegiant têm 47% e 46,5% de suas vendas compostas por receitas auxiliares, respectivamente.