Com a inesperada crise provocada pelo isolamento social para combater a proliferação do coronavírus, os autônomos são parte do grupo que mais sentirá o impacto, segundo a Exame. Agora, quem dependia da demanda do público, que está resguardado em casa, precisa se replanejar. E então, adotar novas medidas para suavizar o abalo da redução de renda.
De acordo a Exame, os profissionais formais podem ter de 30% a 40% do salário cortado em companhias mais prejudicadas. Já trabalhadores da ponta, como garçons e vendedores, correm o risco de ficarem sem os salários, uma vez que os locais de aglomeração estão sendo fechados.
Diante disso, a Exame recebeu indicações de consultores financeiros que podem auxiliar no remanejamento das finanças para atravessar a crise.
Autônomos devem revisar os gastos
Conforme a planejadora financeira e membro do Conselho de Administração da Planejar, Angela Nunes, consultada pela Exame, a revisão de despesas é essencial. Pois assim será possível calcular a quantia necessária para o pagamento de todas as contas ao longo do período. Além de definir quanto pode ser gasto nesse intervalo.
“Ter a dimensão do que entra e sai e revisar os gastos pode ajudar de forma significativa para as finanças dos trabalhadores, especialmente no cenário atual. É um hábito que deve ser levado para a vida”, explicou.
Limitar e controlar despesas
Com isso, Angela indica que os autônomos devem refletir sobre formas de reduzir as suas despesas e economizar. Como, por exemplo, baixando o padrão de vida. Já que as condições de isolamento e recolhimento levam também à redução de consumo.
Para isso, o administrador de empresas e CEO do Hybank, Alberto Hamoui, disse à Exame ser importante ter controle financeiro de recebimentos e pagamentos. “O ideal é utilizar ferramentas que facilitem a visualização do processo de entrada e saída do dinheiro, evitando que alguns valores se percam”, esclareceu.
Renegociar débitos
Caso o autônomo pague aluguel ou tenha dívidas com bancos, o conselho de Angela é pela renegociação. “Uma saída pode ser parcelar o valor, ou jogar a parcela para ser paga lá na frente. É uma forma de não utilizar a reserva financeira e não se endividar”.
Segundo a Exame, aproveitar a baixa da Selic é um bom manejo para tratar da dívida pagando taxas menores. “Com taxa menor e alongamento do prazo, é possível diminuir a pressão da dívida no orçamento. Dessa forma, quando o fluxo de renda normalizar, é possível pagar as parcelas adiantadas ou renegociar a dívida para um prazo mais curto”.
Autônomos devem ter reserva para emergências
Assim como o administrador de empresas Alberto Hamoui já pontuou, para Angela o planejamento é primordial no enfrentamento de crises. “Por mais que a vida seja imprevisível, um bom planejamento financeiro ajuda a mitigar os impactos”.
Isso porque os autônomos não possuem renda estável, ainda mais nesse momento de exceção. Portanto, manter um fundo de reserva para eventuais emergências ajudará a manter a vida financeira equilibrada durante os períodos de pouco ou nenhum trabalho.
“Contudo, como há incerteza sobre quando o isolamento irá acabar, é necessário usar essa reserva de forma consciente e preservá-la ao máximo”, aconselhou Angela.
Inovar no serviço e combinar com clientes
Para a planejadora financeira, aproveitar as facilidades do meio digital é uma opção para os autônomos inovarem na prestação do serviço. “Realizar consultas online, via videoconferência, pode ser uma boa saída para profissionais de saúde e psicólogos. É um aprendizado que poderá ser usado depois na profissão”.
“É o caso de professores que dão aulas particulares ou em grupo e até o personal trainer, de alguma forma. Até fisioterapeutas, que precisam de contato físico, podem buscar ao menos orientar clientes pela internet”, pontuou Angela à Exame.
Além disso, os autônomos devem combinar pacotes de serviços e/ou reajustar prazos de realização e pagamentos durante a quarentena. Tanto em relação às dívidas, quanto aos acordos.
Não misturar o profissional com o pessoal
A fim de não confundir os gastos e fluxos, a última orientação para manter as finanças pessoas e de trabalho separadas. De acordo com os profissionais consultados pela Exame, caso essa regra seja desrespeitada, o trabalhador autônomo pode arriscar o negócio. “O objetivo é evitar o máximo possível quebrar essa barreira”, disse Angela.






