Conforme divulgado na quarta-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento do Agro recuou 2,8% no 2º trimestre de 2021 quando comparado aos três primeiros meses do ano.
O resultado representa a maior contração entre os setores que compõem o Produto Interno Bruto (PIB), que caiu 0,1%. O segmento industrial reportou queda de 0,2% enquanto o de serviços teve alta de 0,7%.
Entre as contribuições positivas para a agropecuária, o IBGE citou a alta de 9,8% na soja e de 4,1% no arroz. Em contrapartida, o café representou a maior contribuição negativa, com queda de 21%.
De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a safra do café está na bienalidade negativa, o que provoca uma redução expressiva da produção.
Além disso, a forte seca nas principais regiões produtoras de café, como Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, prejudica a floração das plantas e, consequentemente, o desenvolvimento dos grãos.
Apesar do resultado negativo no segundo trimestre, o PIB da agropecuária cresceu 1,3% na comparação ano a ano.
Para os analistas do BTG Pactual, o cenário deve permanecer positivo para o Agro, visto que a demanda deve seguir em ascensão a partir da superação dos momentos mais adversos da crise sanitária. Além disso, as condições de oferta ainda restritas contratam preços elevados para as commodities agrícolas nos próximos meses.
Como a crise hídrica pode afetar o setor e a indústria daqui para a frente?
A atual crise hídrica brasileira, além trazer fortes impactos para o setor agrícola, tem prejudicado sobremaneira o segmento industrial.
Na agricultura ela atinge importantes regiões produtoras de alimentos que já sentem os efeitos na expectativa de diminuição da colheita, prejuízo no desenvolvimento dos frutos e na qualidade das pastagens.
No que tange ao segmento industrial, vale lembrar que o mesmo é um grande consumidor de energia.
De acordo com o relatório do BTG, algumas empresas no setor de bens de capital estão negociando lateralmente, em parte refletindo as preocupações com os impactos do racionamento de energia.
Nesse sentido, o mercado começa a explorar os possíveis impactos de custos para os fabricantes, entre os quais o BTG destaca:
- A energia é uma pequena parte do custo dos produtos vendidos (1 a 6%), e a maioria das empresas têm contratos de fornecimento de longo prazo, o que evita o aumento dos custos;
- Alguns processos industriais requerem mais energia, como fundições, mas estes geralmente envolvem empresas com contratos de fornecimento mais longos;
- Empresas que têm o grosso da produção em plantas nacionais sofrerão mais do que empresas com uma base de ativos global;
No relatório o BTG considerou apenas o efeito do aumento nos preços da energia. No entanto, caso o governo decida por restringir o consumo, os impactos podem ser piores.
Diante desse cenário de racionamento, o banco chama a atenção para a necessidade de continuar investindo em fontes alternativas de energia a fim de melhorar a eficiência energética do Brasil.





