Maria Isabel Carvalho Sica Longhi, advogada do Google no Brasil e especialista em tecnologia, comentou, em artigo publicado pelo portal Jota, sobre o futuro das BigTech no País.
De acordo com a advogada, a entrada dessas empresas no mercado financeiro é “irreversível” e que, por isso, o Banco Central precisa se adequar rapidamente aos novos cenários para “não brecar a inovação”.
A advogada lembrou que as inovações trazidas por estes novos players ao mercado financeiro ajudaram a modificar o cenário da indústria de pagamento no País e citou como exemplo a Amazon, criadora de sistemas como o Amazon Cash, Amazon Lending e o Amazon Pay.
Outros exemplos citados pela advogada foram o Facebook, criador do Libra, stablecoin que deve ser lastreada em uma cesta de ativos e também possibilitará em sua blockchain a criação de contratos inteligentes, e o próprio Google, focado em fornecer uma conta-corrente a seus usuários e também soluções de pagamento voltada para internet e com foco no open banking.
“Com todas essas mudanças, ainda há muito que ser discutido em termos de consolidação do mercado, mas também em termos de regulamentações”, ponderou.
“Há, ainda, muita adaptação necessária a cada um dos mercados e das fintechs e bigtechs, já que nem tudo que funciona em um mercado vai funcionar em outro”, complementou Longhi.
Segundo a advogada, um exemplo claro do que funciona em um mercado e não em outro é o método de pagamentos por meio de QR Code.
“Na China o QR Code tornou-se extremamente popular substituindo o dinheiro em curto espaço de tempo com a utilização do WeChat Pay e Alipay, mas o mesmo movimento não se pode esperar do Brasil onde o QR Code sofre resistência para sua utilização, principalmente, pelo desconhecimento dos comerciantes e pela falta de disponibilidade de meios de pagamento que o utilizam”.
Esse exemplo também foi usado por Longhi como forma de elogiar o Banco Central do Brasil, justamente por não ter pressa para definir as regulamentações.
“Diante disso, devemos ficar contentes com essas inovações, mas também com a postura do Banco Central, que tem tentado aprender sobre essas mudanças, mas sem uma regulamentação imediata e apressada que acabe por inibi-la”, finalizou.






