Em que pesem os efeitos econômicos da pandemia, a indústria brasileira de alimentos e bebidas comemora um crescimento de 2,7% na produção física e de 0,8% no faturamento, no primeiro semestre deste ano (1S20), em comparação com igual período de 2019.
Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (12) pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), divulgou a Agência Brasil.
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Commodities lideram
Para esse resultado positivo no limiar, contribuíram a expansão do volume de produção do açúcar (22,6%) óleos vegetais (3,9%) e carnes (1,9%).
Mesma sorte não teve o canal food service (restaurantes, bares, lanchonetes, serviços de alimentação nos hotéis, navios e aviões e lojas de conveniência), cujas vendas despencaram 29,5%.
Contratações compensam
Apesar do ‘tombo’ no comercial, o registro positivo ficou por conta da elevação de 0,6% das contratações diretas, o que permitiu aumento de 10,3 mil vagas no período.
Para a Abia, esse resultado decorre da expansão das exportações e do desempenho do varejo alimentar no mercado interno, a reboque do aumento do consumo familiar – decorrente do isolamento social imposto pelas autoridades, frente à pandemia.
Já o aumento de postos de trabalho, avalia a associação, reflete a necessidade de contratação para expandir a produção, como compensação ao afastamento temporário de trabalhadores que integram o grupo de risco para a Covid-19.
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Sem interrupção
A boa notícia vem do presidente-executivo da Abia, João Dornellas, ao lembrar que o setor, embora ainda enfrentando os impactos da pandemia, não sofreu interrupção em momento algum, mesmo sendo considerada uma atividade essencial”.
Dornellas destacou algumas medidas tomadas, a tempo, pelo setor, para lidar com a crise.
Monitoramento e controle
“Promovemos o monitoramento e o controle dos estoques no varejo e investimos em estruturas de proteção e segurança dos colaboradores nas fábricas e escritórios, entre outras”, explicou.
Para o dirigente, “o foco agora é manter o ritmo e trabalhar para colaborar ainda mais com a retomada econômica do país, gerar mais empregos e continuar levando alimento para a mesa dos brasileiros”.
Exportações avançam 12,8%
Acompanhando a tendência positiva da produção, as exportações de alimentos industrializados apresentaram crescimento de 12,8% na primeira metade de 2020 – totalizando US$ 17,6 bilhões.
Por ordem crescente, os itens de melhor desempenho foram as carnes (+11,9%); óleos e gorduras (+30%) e açúcares (+48%), em que a Ásia (leia-se, China), Europa (Holanda é destaque) e o Oriente Médio foram os principais destinos.
O saldo comercial também foi positivo, avançando 15,9% em igual comparativo, correspondendo à quantia de US$ 15,3 bilhões.
De acordo com a associação, a contribuição do setor na formação do saldo geral da balança atingiu o patamar recorde de 68,2%.
Confiança conquistada
Conquista de confiança. Essa é a explicação da presidente do conselho diretor da Abia, Grazielle Parenti, para a expansão comercial brasileira no mercado internacional.
“Cada vez mais, o Brasil é percebido como um parceiro confiável e relevante para garantir a segurança alimentar”, acentuou Grazielle, acrescentando que “enquanto muitos países reduziram as suas exportações, o Brasil continuou fornecendo alimentos para o mundo”.
Nessa perspectiva, a presidente do conselho apontou como destinos de maior potencial a China, Índia e países do Norte da África. Sua expectativa é de que as vendas reais devem apurar crescimento mínimo de 1%, ao passo que as exportações poderão aumentar até 11%.
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