O número de empresas abertas no país aumentou, enquanto o fechamento caiu de janeiro a agosto, comparado com igual período do ano passado.
De acordo com o Ministério da Economia, em oito meses foram abertas 2,152 milhões de empresas. Foi um aumento de 0,5% em relação ao mesmo período de 2019.
Já o número de empresas fechadas chegou a 682.750 (-14,5%), nesse mesmo período de comparação.
Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (17) no Mapa das Empresas – Boletim do 2º quadrimestre de 2020.
Efeitos da pandemia
Segundo o secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Gleisson Rubin, apesar do crescimento na abertura de empresas e recuo no fechamento, os resultados foram afetados pela pandemia da Covid-19.
O resultado acumulado do ano estão os dados referentes a abril e maio, os meses mais impactados pela crise sanitária.
“Foram dois meses de resultados bastante impactados pela pandemia. O volume de abertura esteve muito abaixo da média história. Se considerássemos o desempenho normal em abril e maio, seguramente o crescimento seria bem maior do que 0,5%”, disse.
Conforme o secretário, os fechamentos foram motivados pelas medidas de isolamento e restrição ao fluxo de pessoas.
Rubin explicou que o interrompimento das atividades é diferente do fechamento formal. “A nossa legislação ainda hoje faz com que as dívidas da pessoa jurídica sejam sucedidas pelo CPF do titular [quando há o fechamento formal da empresa]”, afirmou.
“Isso pode fazer com que o empresário retarde o fechamento formal de uma empresa, com a possibilidade de voltar a funcionar mais a frente ou tenha um fechamento formalizado”, complementou.
Empresário individual
No segundo quadrimestre deste ano, foi registrada a abertura de 944.469 empresários individuais. Esse número representa um crescimento de 2,9% em relação ao primeiro quadrimestre de 2020 e aumento de 1,4% em relação ao segundo quadrimestre de 2019. No total, são 13.783.503 empresários individuais ativos, incluídos os microempreendedores individuais (MEI).
De acordo com o boletim, muitos empreendedores iniciaram seus negócios optando pelo título de empresário individual. Microempreendedores individuais (MEI) representam hoje cerca de 55% dos negócios ativos do Brasil e 79,8% das empresas abertas no segundo quadrimestre.
Para o ministério, isso “reforça a importância dos pequenos negócios para o país, além de serem um dos pilares da retomada da economia brasileira no pós-covid”.
A subsecretária de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo e Artesanato do Ministério da Economia, Antonia Tallarida, afirma que a abertura de MEIs no país não é reflexo do desemprego.
“A gente não viu a crise impactando nesse número [abertura de MEIs]. O MEI entra como uma suplementação da renda, é uma política que ajuda o empreendedor que decide largar seu emprego para começar seu negócio. E está funcionando muito para essa economia sob demanda, motoristas e entregadores de aplicativos”, explica.
Porém, Tallarida sabe que a abertura de MEIs está sendo uma saída para o desemprego. Ela afirma que o crescimento desse meio é exponencial e tende a aumentar, mas ao comparar os números dos dois últimos anos, houve uma desaceleração na abertura de MEIs.
Tempo de abertura
O tempo para abertura de uma empresa no país no segundo quadrimestre de 2020 foi, em média, de 2 dias e 21 horas, o que representa redução de 1 dia (25,8%) em relação ao período imediatamente anterior.
Goiás é o estado com o menor tempo de abertura de empresas: 1 dia e 1 hora, com queda de 11 horas (30,6%) em relação ao primeiro quadrimestre de 2020.
No mesmo período, o estado da Bahia registrou o maior tempo de abertura de empresas no Brasil: 7 dias e 18 horas, mas ainda assim há uma diminuição de 2 dias e 14 horas (25,0%) em relação ao primeiro quadrimestre de 2020.
*Com Agência Brasil





