O economista-chefe do UBS, Paul Donovan, abriu um relatório desta quarta-feira (1º) com atenção voltada para o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no encontro anual de banqueiros centrais promovido pelo BCE.
Nas audiências de confirmação no Congresso americano, Warsh negou ser um “fantoche” do presidente Trump — e o mercado agora vasculhará cada palavra do chairman em busca de qualquer sinal de que essa independência se confirma na prática.
“O desejo de provar independência política pode dar um tom hawkish ao discurso”, avaliou Paul Donovan, do UBS.
O economista lembra que Warsh já sinalizou resistência a oferecer orientações de política monetária — uma postura que, embora politicamente cômoda, eleva a volatilidade dos mercados, aumenta o custo de capital e enfraquece o crescimento.
BCE também no centro das atenções
No mesmo evento, discursam Philip Lane e Christine Lagarde, do Banco Central Europeu.
“É muito esperar que algum deles se desculpe pelo recente erro de política monetária, mas talvez prometam não pecar novamente”, disse Donovan com ironia.
Os dados regionais de inflação da zona do euro têm sistematicamente desacelerado abaixo das expectativas nas últimas semanas, e o economista do UBS avalia que o agregado europeu desta quarta deve seguir a mesma direção.
Japão surpreende com Tankan acima do esperado
A pesquisa Tankan de confiança empresarial do Japão veio mais forte do que o esperado em quase todas as categorias, incluindo planos de investimento em capital.
“O Tankan mantém parte da credibilidade que outras pesquisas de sentimento perderam”, destacou Donovan. Embora o Banco do Japão dificilmente reaja a uma única pesquisa, a direção geral dos dados é consistente com um aumento de juros no horizonte.
No front do petróleo, os preços seguem indiferentes às alegações e contra-alegações sobre as conversas americanas em Doha — com autoridades do Catar, não do Irã.
“Os mercados ainda assumem que a posição política doméstica dos EUA forçará um acordo eventualmente”, observou Paul Donovan, do UBS, sugerindo que a descrença na escalada do conflito segue como o cenário base dos investidores.






