As possíveis mudanças na jornada de trabalho no Brasil, atualmente em discussão no Congresso Nacional, tendem a gerar efeitos moderados sobre o setor de varejo farmacêutico e alimentar, segundo análise do banco Safra. A proposta mais provável envolve a transição do regime 6×1 para o 5×2, além da redução da carga semanal de 44 para 40 horas, cenário visto como base pelo mercado.
De acordo com o relatório, o impacto direto nas empresas deve ocorrer por meio do aumento das despesas com pessoal, especialmente nas áreas de vendas. Ainda assim, o Safra avalia que o efeito pode ser parcialmente compensado por ajustes de preços, com necessidade estimada de repasses entre 1,5% e 4% ao consumidor final.
No caso do varejo farmacêutico, o banco aponta maior capacidade de absorção desses custos. Isso porque o setor apresenta menor sensibilidade a preço e dinâmica competitiva mais favorável, o que pode facilitar o repasse ao consumidor. Além disso, o novo cenário pode acelerar um movimento de consolidação em um mercado ainda fragmentado, beneficiando grandes redes.
Por outro lado, o varejo alimentar enfrenta um ambiente mais desafiador. A forte concorrência e o contexto macroeconômico pressionado tendem a dificultar o repasse integral dos custos, elevando o risco de compressão de margens. Nesse segmento, empresas podem ser obrigadas a adotar medidas adicionais de eficiência operacional.
Despesas com pessoal
A análise do Safra considera que cerca de 90% das despesas com pessoal estão concentradas nas despesas com vendas. Com isso, a redução da jornada semanal, mantendo os salários, pode elevar os custos de folha entre 4,7% e 11%, dependendo da metodologia utilizada. Estimativas do Ipea indicam impacto intermediário de 7,84%, entre projeções mais conservadoras do Ministério do Trabalho e mais elevadas da CNI.
Diante desse cenário, o relatório destaca alternativas que podem ser adotadas pelas empresas para mitigar o aumento de custos. Entre elas estão ajustes de preços, revisão do quadro de funcionários, redução de jornadas operacionais e até cortes de benefícios.
Assim, embora as mudanças na legislação trabalhista tragam desafios, o setor deve conseguir se adaptar de forma gradual, com impactos distintos entre os segmentos analisados.
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