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Société Générale retira aposta no real e vê riscos políticos e fiscais

Société Générale retira aposta no real e vê riscos políticos e fiscais

Banco vê crescimento dos riscos fiscais e políticos antes das eleições e avalia que o mercado pode estar subestimando uma vitória de Lula

O Société Générale decidiu abandonar sua visão otimista para o real e passar a adotar uma postura neutra em relação à moeda brasileira, citando a elevação dos riscos políticos e fiscais no país.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o estrategista para América Latina, Brendan McKenna, afirmou que o banco optou por realizar lucros em recomendações compradas em real que vinham gerando retorno positivo desde meados de junho.

A instituição encerrou suas recomendações de venda de euro contra real e de compra de real contra peso chileno, alegando que o aumento dos riscos específicos do Brasil tornou a posição menos atrativa.

Estamos realizando lucros em nossas recomendações compradas em real porque estamos ficando mais preocupados com os riscos políticos e fiscais locais no Brasil”, afirmou Brendan McKenna.

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Segundo o estrategista, a mudança ocorre após semanas de revisão gradual da visão sobre a moeda brasileira.

“Passamos de uma postura otimista para uma postura neutra em relação ao real ao longo das últimas semanas”, destacou McKenna.

O banco avalia que o cenário para o câmbio se tornou mais complexo diante da perspectiva de uma política fiscal mais expansionista no período pré-eleitoral e da possibilidade de o mercado não estar precificando adequadamente o cenário político.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva à imprensa, na Residência da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra - Suíça.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva à imprensa, na Residência da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra – Suíça. (Imagem: Ricardo Stuckert / PR)

Um dos pontos centrais da análise é a avaliação de que investidores podem estar subestimando as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora pesquisas apontem disputa acirrada, o Société Générale considera que fatores recentes podem fortalecer a posição do atual presidente.

Os mercados podem ainda não estar apreciando plenamente a probabilidade de uma vitória de Lula em um quarto mandato”, afirmou Brendan McKenna.

Eleições e tarifas dos EUA entram no radar

De acordo com o estrategista, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros podem gerar um efeito político semelhante ao observado durante disputas comerciais anteriores.

O banco avalia que o aumento das tensões comerciais pode impulsionar a popularidade do governo e, ao mesmo tempo, ampliar a volatilidade do real.

Além das preocupações políticas, o Société Générale vê espaço para uma postura mais acomodatícia do Banco Central.

Dados mais benignos de inflação no Brasil e nos Estados Unidos abriram margem para que o mercado passe a considerar um corte da Selic já na reunião de agosto.

“O balanço de riscos está se deslocando nessa direção, enquanto os mercados financeiros também caminham para a ideia de um corte de 25 pontos-base no próximo mês”, disse McKenna.

Banco Central Selic
(Imagem: Raphael Ribeiro/BCB)

Cautela também com juros e swaps

Apesar de ainda acreditar em cortes adicionais de juros ao longo do segundo semestre, o banco alertou que a combinação entre deterioração fiscal, risco político e volatilidade cambial pode reduzir rapidamente o espaço para afrouxamento monetário.

Se a política fiscal se tornar mais expansionista e a volatilidade cambial se materializar, os formuladores de política monetária podem ver o espaço para novos cortes encolher muito rapidamente”, afirmou Brendan McKenna.

Diante desse cenário, o Société Générale passou a adotar uma postura de maior cautela não apenas em relação ao real, mas também aos mercados de renda fixa e swaps.

Embora mantenha uma visão neutra para a moeda no próximo mês, o banco reconhece que seu viés já aponta para um dólar mais forte frente ao real e admite que um agravamento dos riscos políticos poderá levar a uma recomendação ainda mais negativa para os ativos brasileiros nas próximas semanas.