O setor de serviços recuou 1,6% em seu nível de atividade em abril na comparação com março, após acumular ganho de 2,1% no mês anterior. Com isso, o acumulado no ano ficou em 4,8%. O acumulado nos últimos 12 meses teve leve queda, de 7,3% em março para 6,8% em abril, menor resultado desde agosto de 2021 (5,1%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo IBGE.

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A retração foi verificada em quatro das cinco atividades investigadas. O setor de transporte se destacou como a principal influência negativa, com queda de 4,4%, depois de ter alta de 7,5% entre fevereiro e março.
“Vários segmentos de serviços dentro desse setor acabaram por gerar um impacto negativo: gestão de portos e terminais, transporte rodoviário de cargas, rodoviário coletivo de passageiros e transporte dutoviário. Esses segmentos tiveram importância no âmbito do volume de serviços como todo, ultrapassando a fronteira do próprio setor”, explicou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.
Os demais recuos vieram dos serviços de informação e comunicação (-1,0%), dos profissionais, administrativos e complementares (-0,6%); e dos outros serviços (-1,1%).

“Em serviços de informação e comunicação, as principais influências vieram de serviços audiovisuais (-4,2%) e de tecnologia da informação (-1,2%). Nos profissionais, administrativos e complementares, destacam-se os serviços de engenharia, de apoio às atividades empresariais e de organização, promoção e gestão de feiras, congressos e convenções. Já os outros serviços foram pressionados pelos segmentos de serviços financeiros auxiliares e de corretoras de títulos e valores mobiliários”, detalha Lobo.
A única atividade que teve expansão do mês foram os serviços prestados às famílias (1,2%), que recuperaram parte da perda acumulada entre fevereiro e março (-2,2%). “O ganho vem tanto de alojamento e alimentação (3,7%) como de outros serviços prestados às famílias (3,5%). Dentro desse segmento, a parte de atividades teatrais, musicais e de espetáculos em geral teve maior influência”, observa o gerente.
Setor de serviços: alta na comparação interanual
No confronto contra abril de 2022, o avanço de 2,7% no volume de serviços foi acompanhado por quatro das cinco atividades. Essa é a 26ª taxa positiva consecutiva, mas vem apresentando desaceleração.
“É o resultado menos intenso desde março de 2021 (4,6%), quando se iniciou essa sequência de taxas positivas. Um dos motivos é a base de comparação. Tivemos movimentos muito fortes em 2021 e 2022 e agora o setor vem perdendo folego”, aponta Rodrigo Lobo.
Ele destaca os efeitos do segmento de serviços de tecnologia da informação, que tiveram crescimento acentuado durante a pandemia, por conta da adequação das empresas ao trabalho remoto e da disponibilização de serviços online, e do transporte de cargas, com o escoamento da produção agrícola, que bateu recordes de safra, e do comércio eletrônico.
O acumulado do ano, frente a igual período do ano anterior, ficou em 4,8%, com taxas positivas em todas as atividades. A contribuição positiva mais importante ficou com o ramo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (5,4%), seguido por informação e comunicação (5,4%), serviços profissionais, administrativos e complementares (4,8%), serviços prestados às famílias (6,8%), e outros serviços (0,2%).
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Setor de serviços: transportes de cargas e de passageiros recuam
No indicador especial de transportes por tipo de uso, tanto o transporte de cargas (-3,4%) como o de passageiros (-1,4%) apresentaram queda na passagem de março para abril.
No caso do transporte de passageiros no Brasil, foi o segundo resultado negativo consecutivo, período em que acumulou uma perda de 4,7%. Dessa forma, o segmento encontra-se 0,9% abaixo do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 23,7% abaixo de fevereiro de 2014 (ponto mais alto da série histórica).
Já a queda no transporte de cargas eliminou uma pequena parte do ganho de 8,0% verificado entre fevereiro e março. O segmento está 3,4% abaixo do ponto mais alto de sua série, alcançado em março de 2023. Com relação ao nível pré-pandemia, o transporte de cargas está 34,9% acima de fevereiro de 2020.
“O transporte de cargas tem peso maior, impactando mais o setor. Dentro de cada um deles, o rodoviário de cargas teve impacto mais decisivo, assim como o rodoviário coletivo de passageiros”, pontua o gerente.
Na comparação com abril de 2022, o transporte de passageiros recuou 5,2% e interrompeu uma sequência de 24 taxas positivas seguidas, ao passo que o transporte de cargas cresceu 7,8%, assinalando o 32º resultado positivo consecutivo. No indicador acumulado do primeiro quadrimestre, o transporte de passageiros cresceu 3,9% e o de cargas avançou 10,7%.
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Setor de serviços recua em 26 das 27 UFs
Na análise regional, em abril, o volume de serviços recuou em 26 das 27 Unidades da Federação em relação a março. Os impactos mais importantes vieram de São Paulo (-1,5%) e Rio de Janeiro (-5,5%), seguidos por Santa Catarina (-3,5%), Goiás (-5,6%) e Mato Grosso (-4,2%). O Ceará (1,0%) deu a única contribuição positiva do mês.

“Esse tipo de disseminação, seja de taxas positivas ou negativas, é muito incomum de acontecer. A última vez havia sido em setembro de 2020, quando 26 UFs tiveram resultados positivos”, observou Lobo.
Frente a abril de 2022, o avanço do volume de serviços no Brasil (2,7%) foi verificado por 23 das 27 Unidades da Federação. A principal contribuição positiva ficou com Minas Gerais (6,9%), seguido por Paraná (8,7%), Santa Catarina (10,7%), São Paulo (0,6%) e Rio Grande do Sul (5,3%). Em sentido oposto, Mato Grosso do Sul (-1,3%), Alagoas (-1,8%) e Amapá (-4,2%) assinalaram os únicos resultados negativos do mês.
No acumulado do primeiro quadrimestre de 2023, o avanço do volume de serviços no Brasil (4,8%) se deu de forma disseminada entre os locais investigados, já que 26 das 27 Unidades da Federação também mostraram expansão na receita real de serviços. O principal impacto positivo veio de São Paulo (2,4%), seguido por Rio de Janeiro (5,8%), Minas Gerais (8,4%), Paraná (10,5%) e Santa Catarina (10,4%). Por outro lado, Mato Grosso do Sul (-0,2%) registrou a única influência negativa sobre o índice nacional.
Setor de serviços: turismo tem leve queda
O índice de atividades turísticas teve variação negativa de 0,1% frente a março, terceiro recuo seguido, período em que acumulou perda de 1,6%. Com isso, o segmento de turismo se encontra 0,7% acima do patamar de fevereiro de 2020 e 6,7% abaixo do ponto mais alto da série, alcançado em fevereiro de 2014.
Regionalmente, apenas cinco dos 12 locais pesquisados acompanharam este movimento de retração. A influência negativa mais relevante ficou com Distrito Federal (-6,2%), seguido por Paraná (-2,8%), Bahia (-1,3%) e Pernambuco (-1,7%). Por outro lado, São Paulo (1,0%) e Rio de Janeiro (2,6%) assinalaram os principais avanços em termos regionais.
De acordo com o gerente da pesquisa, em abril houve grande influência do segmento de transporte aéreo de passageiros e de locação de automóveis, que puxaram o indicador para o campo negativo. “Também no setor de alojamento e alimentação, a parte de alojamento está com viés negativo, e, apesar de os restaurantes estarem puxando pra cima, não foi suficiente para trazer o índice para o campo positivo”, analisa.
Mais sobre a pesquisa
A Pesquisa Mensal de Serivços produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no país, investigando a receita bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não financeiro, excluídas as áreas de saúde e educação.
Esta é a quarta divulgação da nova série da pesquisa, que passou por atualizações na seleção da amostra de empresas, além de alterações metodológicas. São atualizações já previstas e implementadas periodicamente pelo IBGE, com o objetivo de “retratar as mudanças econômicas na sociedade”.
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