A taxa Selic, que passou quase todo o ano de 2020 praticamente inalterada, pode voltar a crescer em ritmo acelerado, segundo Bruno Serra, diretor de Política Monetária do Banco Central (BC).
O executivo conversou com jornalistas do Nikkei Asia e, ao veículo de imprensa japonês, indicou que um aumento acima de 1,5 ponto percentual não está descartado para dezembro, quando ocorrerá a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
“Se for necessário aumentar a taxa em mais de 1,50 ponto porcentual, nós precisaremos fazer isso”, sintetizou.
Atualmente, a taxa Selic está em 7,75% ao ano e, caso “seja necessário”, como o diretor do BC disse, aumentar novamente em 1,5 ponto percentual, ela passaria a 9,25% ano ano.
Além da Selic, inflação também preocupa BC
O percentual da taxa Selic está diretamente ligado à preocupação do órgão com a meta da inflação de 2022. Na segunda passada, o Boletim Focus apontou um dado preocupante.
Os números mostraram que a mediana para o IPCA, o índice oficial de inflação, de 2022 aumentou pela 16ª vez consecutiva, passando de 4,55% para 4,63%, mais perto do teto (5%) do que do centro (3,50%).
O diretor do BC foi taxativo ao falar do assunto para a mídia japonesa. “Nós ainda estamos perseguindo o centro da meta de 2022.”
Serra também abordou rapidamente o cenário externo na entrevista, e pincelou sobre o início da normalização monetária pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Segundo o diretor do BC, o quadro já era esperado, pois todos se prepararam muito bem. O Fed chegou a investir US$ 43 milhões na economia dos EUA durante a pandemia, mas, agora, vai interromper o incentivo.
Serra disse que, diante da situação, é “razoável esperar” que a primeira alta de juros nos Estados Unidos ocorra no segundo semestre de 2022, mas não acredita que o Brasil e outros emergentes sejam impactados por conta disso.






