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Powell esfria apostas de alta de juros e reduz temor inflacionário

Powell esfria apostas de alta de juros e reduz temor inflacionário

Em discurso na Universidade de Harvard, o dirigente afirmou que as expectativas de inflação permanecem “bem ancoradas”

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sinalizou que não vê necessidade imediata de elevar os juros, mesmo diante da recente alta nos preços de energia. Em discurso na Universidade de Harvard, o dirigente afirmou que as expectativas de inflação permanecem “bem ancoradas”, o que reduz a urgência de uma resposta mais dura de política monetária.

A fala teve impacto direto nos mercados financeiros. Após o pronunciamento, investidores praticamente abandonaram a expectativa de alta de juros em 2026. A probabilidade de um aumento até dezembro caiu para apenas 2,2%, frente a mais de 50% anteriormente, quando o avanço dos custos de energia alimentava apostas de aperto monetário.

Foco no longo prazo

Powell defendeu que o Fed deve olhar além das oscilações de curto prazo, especialmente aquelas provocadas por choques de oferta, como a guerra com o Irã. Segundo ele, reagir a esse tipo de movimento com aumento de juros pode acabar sendo contraproducente.

“O impacto de um aperto monetário ocorre com defasagem. Quando seus efeitos aparecem, o choque do petróleo provavelmente já passou”, afirmou. Nesse cenário, elevar os juros agora poderia pressionar a economia em um momento inadequado.

O dirigente reforçou que a atual faixa de juros, entre 3,5% e 3,75%, segue sendo um “bom ponto de partida”, equilibrando os objetivos de controle da inflação e manutenção do emprego.

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Inflação sob controle

Indicadores de mercado também reforçam a leitura de menor risco inflacionário. As chamadas taxas de equilíbrio dos títulos do Tesouro — que medem as expectativas de inflação — giram em torno de 2,56% para cinco anos e vêm apresentando leve queda recente.

Para Powell, embora o tema mereça monitoramento, ainda não há evidências de que a inflação esteja saindo do controle. Ele destacou que eventuais decisões futuras levarão em conta um cenário mais amplo, ainda incerto.

Transição no Fed

Em fim de mandato, Powell evitou comentar a possível condução da política monetária por seu sucessor, Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. A nomeação, no entanto, enfrenta entraves políticos no Senado.

Enquanto isso, o processo ocorre em meio a disputas envolvendo investigações sobre reformas na sede do Fed, conduzidas pela procuradora Jeanine Pirro, o que adiciona incerteza ao ambiente institucional da autoridade monetária.

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