A queda recente do ouro, acompanhada por movimentos ainda mais intensos no mercado de prata, reacendeu o debate entre investidores sobre os fatores por trás da mudança brusca de direção dos metais preciosos. Em um pregão marcado por elevada volatilidade, o contrato do ouro para maio encerrou a sessão em baixa de 1,94% na Comex, negociado a US$ 4.652,60 por onça-troy, após uma sequência de oscilações extremas nos dias anteriores.
O movimento ocorreu em um contexto de redução da aversão ao risco nos mercados globais. A confirmação de uma nova rodada de negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, prevista para esta semana em Istambul, contribuiu para aliviar tensões geopolíticas e diminuiu a demanda por ativos tradicionalmente buscados como proteção em momentos de incerteza.
Além do cenário internacional, fatores técnicos também pesaram sobre os preços. A CME Group anunciou um novo aumento nas exigências de margem para contratos de ouro, prata e outros metais, medida que entra em vigor a partir do fechamento do pregão. Segundo a bolsa, o ajuste faz parte de uma revisão regular diante da intensificação da volatilidade, o que tende a reduzir operações alavancadas e conter excessos especulativos.
Queda do ouro reflete ajuste técnico e saída de posições especulativas
Na avaliação de Yuxuan Tang, chefe de estratégia macro para a Ásia do JPMorgan Private Bank, o recuo recente deve ser interpretado como um ajuste técnico após uma valorização considerada desproporcional. Segundo o estrategista, o movimento contribui para limpar posições excessivamente especulativas acumuladas durante o rali dos últimos dias.
Apesar da correção no curto prazo, Tang destaca que os fundamentos de médio e longo prazos permanecem favoráveis ao ouro. A deterioração fiscal observada em diversas economias, somada a desequilíbrios macroeconômicos persistentes, continua a sustentar o papel do metal como reserva de valor, mesmo diante de mudanças no cenário de política monetária nos Estados Unidos.
O Deutsche Bank também mantém uma visão construtiva para o ouro ao longo do ano. O banco avalia que o metal ainda pode atingir níveis elevados, destacando que quedas intradiárias expressivas são raras e, historicamente, estiveram associadas a períodos de aperto monetário severo — um ambiente diferente do atual. A expectativa de enfraquecimento do dólar, em meio a déficits externos elevados nos Estados Unidos, é apontada como um fator adicional de suporte aos preços.
Prata passa por correção intensa após rali especulativo
No mercado de prata, os ajustes foram ainda mais acentuados. Após alcançar máximas históricas recentemente, o metal entrou em um movimento de correção abrupta, acumulando perdas superiores a 40% antes de apresentar sinais iniciais de estabilização.
A escalada anterior dos preços foi impulsionada por forte atividade especulativa e por expectativas elevadas de demanda industrial. A prata vem ampliando sua presença em setores como eletrônicos, inteligência artificial e geração de energia limpa, o que ajudou a sustentar o rali inicial.
Na China, a entrada de capital especulativo apertou a oferta doméstica do metal, intensificando a volatilidade e ampliando os movimentos extremos observados nas últimas sessões.






