O Índice de Gerente de Compras (PMI) composto do Brasil recuou de 51,5 em dezembro para 48,2 pontos em janeiro, sinalizando contração na atividade econômica pela primeira vez em mais de um ano, conforme divulgou a S&P Global nesta quarta-feira (5). A leitura abaixo de 50 pontos indica retração, enquanto valores acima desse patamar demonstram expansão da atividade.
O desempenho do setor de serviços foi o principal fator para a queda do índice composto. O PMI de Serviços recuou de 51,6 em dezembro para 47,6 em janeiro, marcando a maior contração desde abril de 2021. O setor foi impactado pela fraqueza na demanda e por um declínio nos novos negócios, o que levou empresas a reduzirem a produção. Além disso, houve um aumento substancial dos custos operacionais, que atingiram um patamar recorde em dois anos e meio, pressionando ainda mais o setor.
Divulgado na segunda-feira (3), o PMI industrial subiu para 50,7 pontos em janeiro, de 50,4 em dezembro. O PMI composto é formado a partir das duas leituras: do PMI industrial e do de Serviços.
Esse resultado reflete um cenário de incerteza econômica, onde as empresas enfrentam dificuldades para manter a demanda aquecida diante do aumento dos preços e da redução do poder de compra dos consumidores.
De acordo com o relatório, a queda na atividade de serviços foi acompanhada por uma forte alta dos custos operacionais. As empresas relataram que a desvalorização do real frente ao dólar, o aumento dos preços internacionais e a inflação persistente no mercado doméstico elevaram significativamente os custos de insumos. Como consequência, muitas companhias tiveram que repassar parte desses aumentos para os consumidores, resultando no maior avanço dos preços cobrados desde meados de 2022.
A deterioração do cenário econômico também impactou o nível de novos pedidos. O volume de negócios em janeiro apresentou a primeira contração em mais de um ano, encerrando uma sequência de crescimento registrada ao longo de 2024. Apesar desse quadro desafiador, o nível de emprego no setor de serviços apresentou uma leve alta pelo terceiro mês consecutivo. No entanto, o crescimento na contratação foi tímido, com a maioria das empresas optando por manter seus quadros de funcionários inalterados.
Contração e quedas persistentes
Segundo Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, “com os fornecedores de serviços e seus clientes enfrentando pressões inflacionárias persistentes e custos de empréstimos elevados, o crescimento ficou comprometido logo no início de 2025. A queda nos novos negócios e na produção foi a mais intensa desde abril de 2021”.
Ainda assim, a economista destaca que algumas empresas mantêm expectativas otimistas para o futuro. “Embora o cenário atual seja desafiador, algumas companhias acreditam que uma melhora na demanda e um ambiente econômico mais favorável ao longo do ano possam contribuir para uma retomada da atividade”, acrescenta.
Olhando para frente, a tendência de recuperação vai depender de diversos fatores, incluindo a trajetória da inflação, a política monetária e a confiança dos consumidores e empresas. O Banco Central deverá avaliar os impactos dessas dinâmicas ao definir os próximos passos para a taxa básica de juros, que segue em um patamar elevado. Com isso, a recuperação da economia pode ocorrer de maneira gradual e dependerá da capacidade das empresas de se adaptarem a um ambiente de custos elevados e demanda oscilante.
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