Com o agravamento da guerra no Irã já é possível considerar que o barril do petróleo possa chegar a US$ 200? A consultoria Wood Mackenzie aponta acredita que sim. Para a instituição, a perspectiva de reestabelecimento do fluxo de petróleo piorou nos últimos dias de conflito.
“Certamente, o preço do petróleo ultrapassará US$ 150/barril nas próximas semanas, assim como ocorreu em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. No entanto, os volumes de oferta em risco desta vez são de dimensões maiores – e reais. Em nossa opinião, US$ 200/barril não está fora de cogitação em 2026”, avaliou.
O aumento do preço em muito dependerá da duração da guerra, de quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá fechado e se a Marinha dos Estados Unidos conseguirá garantir a passagem segura de embarcações pelo local, escoltando navios. Neste momento, com os EUA e Israel sugerindo abertamente semanas em vez de dias – e até mesmo a possibilidade de enviar tropas terrestres – não há fim do conflito à vista.
Entretanto, os países consumidores têm poucas alternativas além de reduzir seus estoques comerciais e estratégicos, conforme recomendado pela Agência Internacional de Energia (AIE).
“A demanda global de petróleo, de 105 milhões de barris por dia, ainda terá que cair para equilibrar o mercado e, em nossa opinião, isso exigirá que o preço do Brent suba para pelo menos US$ 150 por barril nas próximas semanas”, completa a análise.
O que pesa no preço
Na primeira semana de guerra, o Irã começou a atacar a infraestrutura de exportação, atingindo o porto dos Emirados Árabes Unidos em Fujairah (com capacidade de 1,5 milhão de barris por dia) e forçando o fechamento do oleoduto Iraque-Turquia – com capacidade de até 200 mil de barris por dia.
“A interrupção do oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita para o Mar Vermelho (com capacidade total de pelo menos 5 milhões de barris por dia, com uma reserva de até 2 milhões de barris por dia no início da guerra) impediria qualquer vazamento restante de petróleo do Golfo para o mercado global”, diz parte do relatório.
De acordo com o relatório, a capacidade de armazenamento varia de país para país, de 14 dias no Kuwait a até 30 dias na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Porém, essas reservas já estão se esgotando, o que acarretará problemas em toda a cadeia de valor.
“Sem possibilidade de exportação, a produção de petróleo na região só poderá ser mantida se houver capacidade de armazenamento disponível”, afirmou a Wood Mackenzie.






