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O Fed diante da guerra: Qual o impacto sobre os juros?

O Fed diante da guerra: Qual o impacto sobre os juros?

Histórico recente pesa sobre a credibilidade do banco central, tornando qualquer sinalização dovish um risco reputacional considerável

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trouxe nova incerteza aos mercados globais, mas o Wells Fargo avalia que o Federal Reserve não deve alterar de forma significativa sua estratégia de política monetária em resposta aos eventos recentes.

Segundo a análise do banco, uma eventual alta nos preços do petróleo geraria pressão inflacionária, mas de natureza bem específica.

“Um aumento nos preços do petróleo geraria uma inflação geral mais alta, mas isso seria impulsionado por um choque de oferta, e não por uma demanda agregada excessivamente elevada”, aponta o documento.

Nesse cenário, apertar a política monetária seria não apenas ineficaz, como potencialmente prejudicial ao crescimento econômico. Trata-se do clássico choque de oferta que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) tendem a “deixar passar”.

O fator determinante, no entanto, será o comportamento das expectativas de inflação. O Wells Fargo destaca que “o Fed provavelmente estará atento a quaisquer desvios notáveis ​​em relação às expectativas de inflação, que têm se comportado bem.”.

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O banco lembra que entre 2021 e 2022, quando as expectativas subiram de forma abrupta, o Fed viu ameaçada a tese de que a inflação seria transitória — um erro que custou caro e resultou no ciclo de aperto mais agressivo em décadas.

Novos cortes?

Quanto à possibilidade de novos cortes de juros além do previsto, o banco é categórico.

“Duvidamos que haja mais flexibilização além da nossa projeção base de 50 pontos-base”, afirma o relatório, reforçando que o impacto do conflito sobre a economia americana deve ser limitado. A instituição espera que o FOMC adote uma postura de espera, buscando maior clareza sobre o desenvolvimento geopolítico antes de agir.

O Wells Fargo pondera ainda que, após cinco anos consecutivos de inflação acima da meta, o Fed pode relutar em adotar uma postura acomodatícia mesmo diante de pressões externas. O histórico recente pesa sobre a credibilidade do banco central, tornando qualquer sinalização dovish um risco reputacional considerável.