O mundo viveu mais mini crises nos últimos dois anos do que nos 50 anteriores, ressaltou Jeffrey Hawkins, vice-presidente executivo de crédito e situações especiais da Bain Capital. Mesmo assim, segundo ele, o mercado tem escolhido manter o foco no longo prazo. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (28), durante painel na Money Week 2026, evento da EQI Investimentos em Balneário Camboriú.
“Há mais mini crises nos últimos dois anos do que vi nos últimos 50 anos. E agora estamos vendo uma guerra de seis meses. O mercado quer continuar olhando no longo prazo”, disse Jeffrey Hawkins, vice-presidente executivo de crédito e situações especiais da Bain Capital.
Hawkins fez questão de contextualizar sua formação. Ele não é economista de origem, mas defende que o essencial no mercado se resume a oferta e demanda.
“Eu não sou formado em finanças. Meu bacharelado foi em estudos russos, não muito útil no crédito privado. Minha faculdade de direito é só um pouco mais útil. Mas eu acho que a única coisa que você precisa saber no mundo da economia é oferta e demanda. E acho que o maior desafio dos grandes fundos é justamente esse: eles estão levantando muito capital e não sabem onde alocá-lo”, afirmou.
Para Hawkins, duas variáveis específicas sustentam essa aposta no longo prazo. São elas as eleições de meio mandato nos Estados Unidos e o rumo dos juros do Federal Reserve.
Poucas chances de guinada política no Congresso americano
Sobre as eleições de meio mandato, Hawkins avalia que os democratas têm poucas cadeiras a conquistar. A mudança de maioria no Senado e na Câmara seria difícil.
“Minha previsão é que há poucas cadeiras no Senado e na Câmara para mudar a maioria para os democratas. Mesmo que eles fiquem só com a Câmara, nada deve acontecer. Governos e mercados só gostam de ficar quietos”, disse.
Para Hawkins, um eventual avanço democrata no Senado só teria efeito prático sobre o mercado em um cenário específico.
“Se o Senado mudar, isso só deve ter impacto no mercado com os democratas tentando embaraçar os republicanos, de olho em 2028”, afirmou.
Warsh ainda não foi claro sobre próximos passos do Fed
Hawkins também comentou a atuação do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Para ele, Warsh ainda não deu sinais claros sobre os próximos passos da política monetária americana.
“Warsh atrapalhou em julho, quando criou confusão, e até hoje não foi claro. Ele quer mostrar qual é a sua reação e o gráfico de pontos, a projeção trimestral de juros dos dirigentes do Fed. O mercado vê uma chance de 50% para um novo aumento de juros. Mesmo do lado de crédito, vejo pressões inflacionárias em vários setores, com os juros ficando na casa de 3% a 3,5% por um tempo. Deve haver um aumento de juros até o fim de 2026”, disse Hawkins.

Sergio Magalhães, sócio e COO de real estate da Patria, trouxe a perspectiva do setor imobiliário para o painel.
“Olhando para o mercado imobiliário, acho que estamos num momento de abertura de grandes oportunidades, apesar de toda a pressão. Antes, eram os bancos que captavam as grandes operações, e agora esse fluxo está migrando para o mercado de capitais. Não é uma mudança cíclica, é estrutural, e o investidor pode se beneficiar disso”, disse Sergio Magalhães, partner e COO de real estate da Patria.






