As perspectivas para o minério de ferro em 2026 continuam sendo tratadas com ceticismo por parte relevante do mercado, mas a análise mais recente do BTG Pactual indica que esse pessimismo pode estar deslocado da realidade dos fundamentos. Segundo o analista Leonardo Correa, o setor carrega um histórico recorrente de expectativas excessivamente negativas que acabam não se confirmando ao longo do ano.
“No mercado de minério de ferro, tornou-se comum iniciar cada ano esperando uma correção de preços e, ao longo do tempo, acabar revisando essas projeções para cima”, afirma Correa. Para 2026, o banco mantém uma estimativa média de US$ 102 por tonelada, acima do consenso, sustentada por um equilíbrio relativamente apertado entre oferta e demanda no mercado marítimo.
Dentro dessas perspectivas, o BTG avalia que o minério de ferro 2026 deve repetir uma dinâmica semelhante à de 2025, com um pequeno superávit global estimado em cerca de 13 milhões de toneladas, o equivalente a apenas 1% do mercado seaborne — patamar considerado insuficiente para provocar uma queda estrutural de preços.
China perde protagonismo negativo e reforça resiliência
Apesar do enfraquecimento prolongado do setor imobiliário chinês, o BTG Pactual avalia que a China segue desempenhando um papel mais estabilizador do que destrutivo para o mercado global. O consumo aparente de aço vem recuando, mas a produção segue sustentada por taxas elevadas de utilização dos altos-fornos.
Leonardo Correa destaca que “as taxas de utilização dos altos-fornos na China seguem muito elevadas, em torno de 86%” e que a transição para fornos elétricos ficou aquém do esperado. Como consequência, as importações chinesas de minério devem permanecer praticamente estáveis em 2026, enquanto as exportações de aço seguem em níveis historicamente elevados.
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Essas condições reforçam as perspectivas de sustentação do minério de ferro em 2026, reduzindo o peso que o mercado imobiliário chinês exercia no passado sobre a equação global de oferta e demanda.
Simandou: impacto limitado no curto prazo
Outro ponto frequentemente citado como risco é o avanço do projeto Simandou, na Guiné. No entanto, o BTG Pactual revisou suas estimativas e passou a tratar o projeto como um fator de impacto reduzido em 2026, diante de entraves logísticos, operacionais e regulatórios.
O banco estima que o ramp-up em 2026 fique entre 15 e 16 milhões de toneladas, bem abaixo das projeções iniciais. Isso representa cerca de 1% do mercado marítimo, o que reforça a avaliação de que Simandou será, nas palavras do relatório, “um fator de impacto bastante limitado” no curto prazo.
Essas perspectivas se somam ao tema estrutural da exaustão das minas, com queda de teor do minério, aumento de contaminantes e maior intensidade de capital, fatores que limitam a expansão efetiva da oferta global de minério de ferro em 2026.
Compradores de Vale e cautela com CMIN
No campo das ações, o BTG Pactual é claro ao apontar sua preferência. “Compra de Vale, com postura relativamente mais cautelosa em relação à CMIN”, afirma Leonardo Correa. A Vale segue como a principal escolha do banco para capturar o cenário de resiliência do minério de ferro em 2026, apoiada por desempenho operacional consistente, forte geração de caixa e múltiplos considerados atrativos.
A mineradora negocia com retorno em caixa estimado entre 9% e 10% e múltiplos descontados em relação a pares globais. Já a CMIN inspira maior cautela, segundo o banco, por operar a avaliações mais elevadas e carregar riscos associados à execução operacional e à alocação de capital.
Dessa forma, as perspectivas traçadas pelo BTG Pactual indicam que o mercado pode novamente estar subestimando o minério de ferro em 2026, repetindo um padrão histórico de erro que tende a se corrigir ao longo do tempo.
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